Marepe apresenta seu Recôncavo Baiano em mostra inédita na Pina

O artista baiano Marepe ganha sua primeira exposição individual em terras paulistanas na Pina Estação!

Com curadoria de Pedro Nery, curador do museu, a mostra intitulada de “Marepe: estranhamente comum” oferece uma visão abrangente de sua trajetória, iniciada na década de 1990.

obra sem título do artista marepe

Crédito: Marcondes DouradoSem Título, 1995
C-Impressão sobre papel
Performance na Praia de Ondina, Salvardor, BA, 1995
48 x 71.5 cm

O conjunto de 30 obras evoca poeticamente uma memória pessoal que se entrelaça a sua cidade natal.

Marepe (Marcos Reis Peixoto) nasceu na cidade de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, em 1970.

Sua cidade fica situada ao leste da Baía de Todos os Santos e conecta o sertão ao mar. Isso a tornou um importante eixo por onde passam as mais diversas mercadorias, de materiais de construção a alimentos.

A partir desse vaivém de objetos e pessoas, além da própria história familiar, o artista extraiu e elaborou suas obras.

No processo, Marepe se vale de procedimentos recorrentes da arte contemporânea, como o acúmulo e a retirada de objetos de suas funções cotidianas.

No entanto, suas obras sugerem dimensões especulativas, alterando a escala, a forma e o significado de materiais ali encontrados, para, daí, criar peças oníricas.

Marepe em três verbos

Para organizar sua retrospectiva na Pinacoteca, o curador destacou três verbos aos quais o artista recorre com constância em sua trajetória: mover, transformar e condensar.

Os verbos não são pensados como algo fechado, mas sim como elemento guia, permitindo aprofundar o olhar simbólico que as próprias obras sugerem.

  • Mover

Dentro desse verbo estão reunidos trabalhos que demonstram a ação fundamental da prática de Marepe, que é a retirada do objeto de seu circuito usual, como o comercial, urbano ou produtivo, para inseri-lo no campo artístico.

O que o artista move não são simples objetos, mas coisas que se relacionam com seu passado e a vida ao seu redor.

                                                                                                          obra A Mudança, 2005 do artista marepe

                                                                                                             Crédito: Pedro Motta/Cortesia Galerie Max HetzlerA Mudança, 2005
Madeira, metal, borracha, tela plástica e dobradiças
210 x 360 x 140 cm

Disso, nasce a ideia da mobilidade como eixo estrutural das obras apresentadas como , por exemplo, de Mudança (2005) e Embutido Recôncavo (2003).

Feitas com móveis de madeira e apresentadas juntas, elas repensam o movimento das próprias formas e das vidas de pessoas que se deslocam de maneira precária.

Já Periquitos (2005) é uma peça que remete a esse ambiente doméstico e que traz um movimento de escala e de desproporção ao apresentar uma televisão agigantada, desestabilizando, assim, a convenção desse objeto tão familiar.

                                                                                                            obra Periquitos, 2005 do artista marepe

                                                                                                               Crédito: Cortesia Galerie Max Hetzler / DivulgaçãoPeriquitos, 2005
Vidro acrílico, madeira, aço, motores elétricos
432 x 614 x 312,5 cm
  • Transformar

Aqui são expostos trabalhos cujos objetos de composição sugerem um novo arranjo narrativo.

Nesse sentido, O retrato de Bubu (2005), pertencente ao acervo da Pinacoteca, traz a imagem do avô do artista que aparece sozinho como uma grande medalha de honraria.

Esse ato de transformar se dá na medida em que o artista relativiza a ordem social, pessoal e geográfica.

  • Condensar

Nesta área da mostra estão reunidos trabalhos que beiram a livre associação, revelando o desejo do artista de compor ideias díspares com recursos simples, oferecendo uma materialidade a serviço da imaginação.

                                                                                                         Obra Doce Céu de Santo Antonio com marepe comendo algodão doce olhando para o céu

                                                                                 Crédito: Ronald Naganuma / Cortesia Galeria Luisa StrinaDoce Céu de Santo Antonio – série B, 2001
Impressão colorida
15 x 10 cm cada uma – 6 fotos

A exemplo disso, são as imagens Doce céu de Santo Antônio (2001), em que o artista é visto de baixo para cima, retirando um pedaço de algodão-doce contra o azul do céu e trazendo para sua boca, comendo um pedaço de nuvem desse céu doce imaginado, trazendo, literalmente, o sonho para a realidade.

Outro caso é o da obra Chorinho (2009), feita com carretéis suspensos de linha de costura azul, que caem, fio por fio, em tonalidades diferentes, até o chão.

                                                                                                             obra os filtros com filtros de barro em bancos de madeira do artista marepe

                                                                                                                Crédito: Cortesia Galerie Max Hetzler / DivulgaçãoOs Filtros, 1999
Filtros de cerâmica e bancos de madeira
Dimensões variáveis

“Marepe: estranhamente comum” fica em cartaz até 28 de outubro, na Pina Estação, com visitação aberta de quarta a segunda, das 10h às 17h30. A exposição tem entrada gratuita todos os dias.

 

*Catraca Livre