Governo Bolsonaro demite general que comandava Esporte

O general Marco Aurélio Vieira foi exonerado do cargo de secretário especial de Esporte do Ministério da Cidadania. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (18) no Diário Oficial da União.

Vieira foi convidado para o cargo em dezembro de 2018, após o governo federal confirmar a extinção do antigo Ministério do Esporte. A pasta passou a fazer parte do Ministério da Cidadania, chefiado por Osmar Terra (MDB-RS).

O governo não divulgou quem será o substituto na secretaria, mas outro militar é o mais cotado para assumir o cargo. O general Décio Santos Brasil deve ser nomeado nos próximos dias. Ele foi vice-chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército.

General três estrelas e da reserva, Vieira foi desportista militar, trabalhou como diretor-executivo de Operações da Rio-2016 e cuidou do evento da tocha olímpica.

A sua demissão é resultado de um desgaste com o ministro Osmar Terra. O general não teve no período na secretaria liberdade de montar sua equipe.

Um caso emblemático foi a escolha, por parte de Terra, do ex-jogador de futebol Washington Cerqueira para a secretaria nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social, área com o maior orçamento dentro da secretaria especial.

Conhecido como Coração Valente, Washington é filiado ao PDT e, entre novembro de 2018 e janeiro de 2019, assumiu como suplente a vaga na Câmara do atual ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), após sua licença para comandar a equipe de transição.

Auxiliares próximos a Terra afirmam, de forma reservada, que houve uma perda de confiança na relação. Vieira teria tentado desgastar o ministro junto a atletas.

Além de Washington, a única outra nomeação concretizada para o segundo escalão da secretaria foi a de Ronaldo Lima, secretário nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor. Ele começou sua carreira na área esportiva como técnico de futebol da seleção do Exército, em 1984.

Para as outras duas áreas de atuação da secretaria, porém, ninguém foi nomeado oficialmente em mais de três meses de governo.

O campeão olímpico de vôlei de praia Emanuel Rego é tratado até hoje em materiais de divulgação do governo como secretário indicado para a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD).

No último fim de semana, durante o Congresso Olímpico Brasileiro, evento realizado em São Paulo, Emanuel disse à Folha que tem atuado voluntariamente na área e que esperava que sua nomeação fosse anunciada logo.

Outra cadeira que ainda aguarda nomeação é a de secretário do Alto Rendimento.

A primeira ação efetiva do governo Bolsonaro no esporte foi o anúncio, na semana passada, de que pagaria o benefício da Bolsa Atleta para aqueles que haviam sido cortados do programa nos últimos dias do governo Michel Temer (MDB).

Nesta semana, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei que modifica alguns pontos do programa. Entre eles, diminui o número de beneficiados na categoria Bolsa Pódio, que hoje paga entre R$ 5 mil e R$ 15 mil para atletas que estejam entre os 20 melhores do mundo.

Vieira cumpriu compromissos previstos em sua agenda até terça (16). Na segunda, ele chegou a se reunir, ao lado de Osmar Terra, com esportistas ligados ao movimento Rede Esporte pela Mudança Social, que reúne 116 instituições, para debater futuras ações na área. A notícia de sua exoneração nesta quinta pegou vários deles de surpresa.

No período em que esteve no cargo, Vieira manteve boas relações com o Comitê Olímpico do Brasil (COB). Recentemente, ele atuou a favor da entidade para ajudar a desbloquear os recursos das loterias, essenciais ao funcionamento das confederações esportivas e cujos repasses chegaram a ser suspensos pela Caixa.

O COB é cobrado pela Receita Federal por uma dívida de quase R$ 200 milhões de uma extinta confederação de vela. Como ainda não há uma posição definitiva sobre o tema por parte da Caixa e do governo federal, caberá ao próximo secretário atuar nas negociações desse caso.

Nos últimos anos, o governo federal reduziu o investimento no esporte. Desde 2015, quando o orçamento da pasta —que existia desde 1995— foi de R$ 3,9 bilhões (em valores atualizados), as receitas disponíveis para a área vem caindo. Em 2018, o montante foi de R$ 1,5 bilhão, cerca de 0,4% do total do país.​

*Folha