Empresas vão parar e transmitir a Copa feminina a funcionários

De quatro em quatro anos, o Brasil paralisa a produção de diversas empresas por algumas horas, durante dias de junho e julho, para que os funcionários fiquem de olho nos jogos da seleção brasileira de futebol masculino na disputa da Copa do Mundo. Em 2019, um ano após a competição dos homens na Rússia, em que o time nacional foi eliminado nas quartas de final pela Bélgica, começa a Copa do Mundo feminina, na França. E, pela primeira vez, dezenas de empresas vão parar para assistir aos jogos das mulheres que representam o país na competição.

“Copa do Mundo é Copa do Mundo. Então, se a gente para pra assistir à competição dos homens, vamos parar também para ver as meninas jogar”, afirma Eduardo Fonseca, diretor de assuntos institucionais do Grupo Boticário. A decisão de transmitir os jogos foi tomada logo no início deste ano.

Apesar de não ser patrocinadora da seleção brasileira ou de atletas do futebol feminino, o grupo enxergou como um importante posicionamento de marca a mobilização pela competição feminina. “A diversidade faz parte da missão do grupo”, afirmou. Ao todo, as ações devem mobilizar 6.000 funcionários da empresa.

O esquema em fábricas e escritórios das cinco empresas do Grupo Boticário (O Boticário, Eudora, quem disse, berenice?, Vult e The Beauty Box) vai funcionar como em 2018. Nas linhas de produção e centros de distribuição, as atividades serão paralisadas durante os jogos e haverá transmissão em telões. Nos escritórios, o modelo é diferente e varia de acordo com os horários das partidas. Se o jogo for no período da tarde, por exemplo, o funcionário trabalha durante a manhã e depois está liberado para assistir à partida em casa. Caso seja de manhã, o funcionário pode entrar depois do almoço. Se o jogo ocorrer no meio da tarde, haverá a transmissão na empresa, mas não a dispensa do expediente.

Segundo Fonseca, a notícia da transmissão foi passada em janeiro aos funcionários e foi divulgada por eles nas redes sociais. Ao ver a repercussão, o grupo decidiu criar uma plataforma para que outras empresas que quisessem seguir uma ação semelhante pudessem anunciar de maneira conjunta. No site Com Você Eu Jogo Melhor, há outras 39 empresas que farão ações pelo futebol feminino, transmitindo os jogos nas empresas. É o caso da Atento, empresa de telemarketing, Unilever, indústria de bens de consumo, Votorantim, produtora de cimento, e Roche, farmacêutica.

A farmacêutica Bayer, não faz parte da campanha, mas também vai transmitir os jogos. Antes das partidas, haverá um encontro para falar sobre visibilidade no esporte para as mulheres com jogadoras do time de futebol da empresa. Cibele Rudge, diretora de Farmacovigilância da Bayer e líder do All In, grupo responsável por ações de equidade de gênero da empresa, afirma que a transmissão e o bate-papo sobre mulheres no esporte são um dos passos em prol da diversidade. “Sempre que tivermos a oportunidade de mudar um comportamento em busca da equidade de gênero, vamos discutir e trazê-lo para a realidade da Bayer”, afirmou.

Na Heineken, será montado um bar na sede da empresa, que fica na Vila Olímpia, em São Paulo, para a transmissão dos jogos com comida, refrigerante e cerveja. A iniciativa também deve ser replicada nas outras unidades da empresa. Os funcionários que quiserem ver os jogos fora não terão descontada a remuneração. “Os gestores terão autonomia para negociar, se necessário, o uso do banco de horas diretamente com seus times”, informou a empresa.

O Nubank, fintech de tecnologia, também vai na linha da diversidade para transmitir os jogos da Copa feminina. Ao contrário das outras empresas, que informaram apenas o compromisso de transmitir as partidas da seleção, a empresa começa a ação já nesta sexta, com o jogo de França e Coreia do Sul, às 16h. A empresa também fará comunicação visual com cartazes, com os horários de transmissão dos jogos e informações sobre as outras seleções que têm colaboradores da companhia, como Estados Unidos, França e Argentina. Para mobilizar os funcionários, durante os intervalos, a empresa vai promover mini-campeonatos de embaixadinhas e tiro ao alvo, com brindes, como óculos e bonés da empresa para os vencedores.

Patrocinadores
A Ambev, dona da marca Guaraná Antarctica, que é patrocinadora da seleção, vai transmitir os jogos. Em uma propaganda, a marca fez um apelo a outras empresas para que integrassem um movimento de apoio ao futebol feminino. A ideia consiste em promover comerciais com atletas da equipe.

A Visa, uma das patrocinadoras oficiais do evento, também fará a transmissão dos jogos no escritório e vem esquentando o clima há dois meses com visitas periódicas de Ettie, a mascote do campeonato feminino na França, nos escritórios da empresa. Além disso, os funcionários participam de um campeonato de videogame, em que é possível jogar apenas com times femininos.

Segundo Rodrigo Bochicchio, diretor de marketing da Visa, a Copa do Mundo de 2019 é o maior investimento da companhia já feito no futebol feminino. A empresa não revela cifras, mas informa que o montante investido é proporcional à audiência do evento.

“Nós acreditamos em um crescimento grande daqui a quatro anos, quando teremos um investimento maior na próxima Copa do que nessa. Há um interesse crescente no assunto, muito por causa da questão da diversidade e do empoderamento feminino. Nós queremos nos posicionar com esse movimento e crescer esse produto com essa demanda”, afirmou.

Na França, a Visa é o meio de pagamento oficial dentro dos estádios e patrocinadora do prêmio Player of the Match, que dá um troféu para a melhor jogadora da partida.

*veja




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