Escultura de Irmã Dulce é inaugurada: ‘Cristo Redentor da Cidade Baixa’, diz artista

Foi com fogos que a Cidade Baixa comemorou, no início da noite desta sexta-feira (6), a inauguração de uma escultura de quatro metros de Irmã Dulce, fixada no topo do Memorial da beata, no Largo de Roma. A imagem ficou em posição de destaque e com a iluminação cênica passa a ser vista em diferentes pontos da península Itapagipana, da Liberdade e até por quem faz a travessia Ilha de Itaparica-Salvador.

Para Zaca Oliveira, artista plástico que a projetou, em 2012, como uma obra descartável para recepcionar o presépio de Natal daquele ano, a escultura passa a ser simbólica para a cidade. “Para mim é um Cristo Redentor da Cidade Baixa”, comparou. “Ter ela aí, em destaque, muda a história da região, de Irmã Dulce, das avenidas Dendezeiro e Luiz Tarquinio, a minha história, tudo mudou. Isso está além de tudo que eu imaginava para a minha arte”, afirmou Zaca, com simplicidade.

A escultura, que pesa mais de 800 quilos, foi posicionada a 20 metros de altura. “Os funcionários levaram a escultura como todo amor e cuidado, como se fosse a própria (Irmã Dulce), que tinha 1,5 metro e pesava menos de 40 quilos”, lembrou Maria Rita Pontes, superintendente da Obras Sociais Irmã Dulce (Osid).

Em 2013, a escultura foi colocada em um antigo campo de futebol, localizado ao lado da sede da entidade, traduzindo na época o desejo da instituição para que o terreno abrigasse uma futura unidade para tratamento do câncer, o que ocorreu em 2015, com a inauguração da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) Nossa Senhora de Fátima. “Eu espero que ela agora daí se expanda e possa irradiar muita luz e sabedoria para gente para assumir novos serviços e o que for importante das suas obras”, completou Maria Rita. A modelagem ganhou um novo banho de resina e deixou de ser oca, ganhando um enxerto para ela ser solidificada e resista as ações do tempo.

Em seu discurso durante o evento de instalação da escultura, o capelão da Osid, frei Mário Erky, justificou a escolha da data do evento no mesmo dia em que os católicos comemoram a Festa de Reis. “O que marca essa festa é a estrela e estamos completando 25 anos da presença de Irmã Dulce no céu. Ela sempre brilha e intercede pelos seus devotos”.  Acompanharam o evento pacientes, moradores da obra, funcionários e apoiadores.

Maria Rita Pontes, Superintendente das Obras Sociais, lembrou que a data acabou também por lembrar um episódio considerado um ato de bravura da história da beata: há 65 anos, Irmã Dulce quebrava os vidros de um ônibus em chamas, logo após este ter se chocado com um bonde em um acidente, e conseguiu salvar doze pessoas.

A inauguração da escultura dá início a uma programação em memória do falecimento de Irmã Dulce, há 25 anos. Na programação está marcado uma missa, no dia 13 de janeiro, que será celebrado por Dom Murilo Krieger, arcebispo de Salvador, primaz do Brasil e presidente de honra da Osid. “Vamos fazer alguns lançamentos, um concerto no Teatro Castro Alves em parceria com o Neojiba e alguns outros eventos de captação (de recursos para as obras)”, anunciou Maria Rita.

Inspiração
Zaca conta que tomou um susto quando viu na manhã desta sexta a obra no alto. “Quando eu vi, tomei o maior susto, tive que parar o carro, eu estava tremendo…”. Zaca guardou os moldes originais do rosto e das mãos da escultura em casa mas conta que, como artista plástico e morador da cidade baixa, leva para onde vai a inspiração do trabalho de Irmã Dulce. “Minha arte é voltada para o social, entro em comunidades, eu lido com pessoas em situação de risco e estou principalmente nos Alagados [onde irmã Dulce iniciou suas ações de caridade]. Tive a oportunidade de conhecer ela quando eu era criança e minha mãe me deu material de limpeza para doar e fiquei encantado com a figura, ela é o exemplo mais próximo de caridade que tenho”, afirmou.

Correio da Bahia