MP abre inquérito sobre performance no MAM-SP: ‘Não queremos palanque para ideias da Idade Média’

O promotor de Justiça Eduardo Dias, do Ministério Público de São Paulo, anunciou na tarde desta segunda-feira que vai abrir inquérito civil para apurar denúncias relacionadas à performance “La bete”, parte do “35ª Panorama da Arte Brasileira – 2017”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Na inauguração da mostra, os visitantes puderam interagir com o artista Wagner Schwartz, que posava sem roupa, em uma sala fechada, com frequência controlada.

Segundo a denúncia, o museu estaria expondo crianças e adolescentes a conteúdo pornográfico. De acordo com Dias, a investigação terá como centro saber se a classificação indicativa foi observada.

— O que nós queremos é que o Estatuto da Criança e do Adolescente seja respeitado. Vamos ver como é que foi feita a classificação indicativa, como evoluiu e como foi feito o controle. O que não queremos é criar um palanque que lembre ideias da Idade Média.

ENTENDA O CASO

Um vídeo da performance do artista gerou polêmica na última terça-feira, no qual uma criança, acompanhada da mãe, tocava os pés de Wagner Schwartz, que se apresentava nu. A performance, batizada de “La bête”, é uma releitura da obra “Bicho”, da pintora e escultora Lygia Clark.

Na noite de quinta-feira, o MAM divulgou uma nota negando erotismo na performance: “É importante ressaltar que o material apresentado nas plataformas digitais omite a informação de que a criança que aparece no vídeo estava acompanhada de sua mãe durante a abertura da exposição”, afirma trecho da declaração.

O debate sobre liberdade de expressão, censura e a relação entre arte e sexualidade volta à tona depois da polêmica causada recentemente pelo Santander Cultural de Porto alegre, que cancelou a exposição “Queermuseu – Cartografias da diferença da arte brasileira” após protestos nas redes sociais.

*OGlobo