Jovem que chamou Tia Má de macaca diz que teve surto após perda da mulher

O suspeito de ameaçar de morte e fazer ofensas racistas contra a jornalista e humorista Maíra Azevedo,conhecida como “Tia Má”, se apresentou na tarde desta quarta-feira (14), na 1ª Delegacia de Polícia Civil, bairro dos Barris, em Salvador.

O jovem identificado como José Raimundo Pira Barreto Junior, de 23 anos, disse em depoimento, que está arrependido e, ainda alegou que teve um surto após a morte da esposa, ocorrida há um ano. Ele também enfatizou que não é racista.

José ainda informou que era fã da jornalista, mas teve um surto após a ver na TV. Segundo ele, a humorista lhe lembrou a esposa. O suspeito foi à delegacia acompanhado do advogado e da mãe.

Tia Má se posicionou nas redes sociais, postando um vídeo sobre a apresentação do jovem nesta tarde. Veja abaixo!

Entenda o caso

Na segunda-feira (26), a jornalista ‘Tia Má’ foi chamada de “monkey” (macaca em inglês) durante uma transmissão ao vivo no Instagram. No dia seguinte, a humorista contou o caso na rede social e explicou que havia denunciado no crime à promotoria de Justiça de Combate ao Racismo do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA). O MP confirmou que recebeu a denúncia e disse que irá investigar o caso.

“O racismo não nos dá descanso. Não importa onde, nem quando, nem como, racistas sempre encontram uma forma de tentar nos abater. Mas eu, mulher, preta, nordestina, forjada na luta, herdeira de uma dinastia de guerreiras, não vou sucumbir”, diz.

Após a publicação, a jornalista voltou às redes sociais. Dessa vez, ela contou que estava sendo ameaçada pelo homem. “O racista não suportou a repercussão do caso, pegou meu contato de trabalho, me ligou e está me fazendo ameaças, enviando mensagens para meu celular de trabalho. A questão é que essa pessoa me ligou e eu salvei o número, vou encaminhar para a polícia. Ainda que eu morra, morrerei lutando pelo que eu acredito”, afirma.

Nesta sexta (02), ‘Tia Má’ contou novamente que as ameaças continuaram a chegar por mensagens, por conta delas, ela já havia feito uma denúncia à Polícia Civil, na quinta (1º). “O racista continua a me ameaçar. Não vou me calar. Essa prática de ameaçar é justamente para calar. É importante que todas as pessoas tenham essa compreensão. Ao receber ameaças, é justamente aí que você tem que denunciar”, escreve.