Polícia indicia proprietário de empresa dona de lancha, engenheiro e comandante por tragédia que matou 19 na Bahia

O proprietário e o engenheiro da empresa CL Transporte Marítimo, responsável pela lancha que virou e deixou 19 mortos, na Baía de Todos-os-Santos, na Bahia, assim como o comandante da embarcação, foram indiciados pela Polícia Civil por homicídio culposo e lesão corporal culposa pela tragédia.

A informação foi divulgada pelo delegado Ricardo Amorim, titular da 24ª Delegacia Territorial (DT/Vera Cruz) – responsável pelas investigações -, durante coletiva de imprensa, em Salvador, na manhã desta quinta-feira (12). A delegada Fernanda Porfirio, diretora do Departamento de Polícia Metropolitana, que comanda a 24ª DT, também participou da coletiva.

O acidente ocorreu no dia 24 de agosto de 2017. No total, 120 pessoas viajavam na lancha. Quatro delas eram tripulantes, incluindo o comandante da embarcação. Setenta e quatro pessoas ficaram feridas. Duas delas com gravidade.

No dia 23 de janeiro deste ano, a Marinha já havia divulgado que o resultado do inquérito do órgão apontou que o acidente foi provocado por uma série de negligências e imprudências por parte do dono da empresa, do engenheiro e do comandante.

Delegados divulgaram resultado do inquérito policial nesta quinta-feira (Foto: Alan Oliveira/G1)

Delegados divulgaram resultado do inquérito policial nesta quinta-feira (Foto: Alan Oliveira/G1)

De acordo com o delegado Ricardo Amorim, as investigações apontam que o dono da empresa, Lívio Garcia Galvão, teria instalado pesos de lastra na lancha, o que acabou causando a instabilidade da embarcação durante a navegação.

Ainda segundo o delegado, o engenheiro naval que avaliou a embarcação, identificado como Henrique José Caribé Ribeiro, teve culpa imputada por ter feito cálculos errados sobre a lancha durante a avaliação, o que acabou liberando uma lancha inapropriada para travessia.

Já o comandante da embarcação, Osvaldo Coelho Barreto, teve culpa no acidente apontada pelas investigações por ter usado a lancha mesmo sabendo que ela era instável, além de ter seguido com ela por uma rota que não era segura. Conforme o delegado, no dia do acidente, o homem chegou a recomendar que a mulher dele não viajasse na lancha.

Segundo o delegado, a mulher, que não teve o nome divulgado e que, assim como o marido, é moradora da Ilha de Itaparica, teria um exame marcado em Salvador no dia da tragédia, mas desistiu do procedimento após orientação de Osvaldo Coelho. Ainda segundo o delegado Ricardo Amorim, o comandante chegou a pedir que a lancha fosse substituída um dia antes do acidente, mas não foi atendido e, mesmo assim, partiu com a embarcação.

Após a conclusão do inquérito, conforme o delegado Ricardo Amorim, o material foi encaminhado para o Ministério Público da Bahia (MP-BA). O órgão irá definir se oferecerá ou não a denúncia à Justiça.

Tragédia

A lancha Cavalo Marinho I virou por volta das 6h30, cerca de 10 minutos após deixar o Terminal Marítimo de Mar Grande, na ilha, no dia 24 de agosto de 2017. A embarcação tinha como destino Salvador e estava a aproximadamente 200 metros da costa quando o acidente aconteceu. A viagem dura cerca de 45 minutos.

As 19 pessoas que morreram no acidente são 13 mulheres, 3 homens e 3 crianças. Os corpos foram periciados no Departamento de Perícia Técnica (DPT) de Salvador e na unidade de Santo Antônio de Jesus.

No dia 19 de março, quase dois meses após a Marinha ter concluído inquérito apontando que o acidente foi provocado por uma série de negligências e imprudências, a Superintendência Regional do Trabalho na Bahia (SRT/BA) divulgou relatório de investigação, indicando erros de fiscalização e operacionalização do Estado, da própria Marinha e da empresa responsável pela lancha que acabaram contribuindo com a tragédia.

O relatório da SRT/BA também apontou que o comandante não teve culpa pelo acidente e que ele também teria sido uma vítima da tragédia. A Polícia Civil informou nesta quinta-feira que o relatório foi incluído no inquérito que foi enviado para o Ministério Público.

No dia 28 de março deste ano, a Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA) divulgou que pediu o bloqueio de bens da CL Transporte Marítimo e dos sócios da empresa, mas que não foram encontradas propriedades nos nomes dos envolvidos. A ação foi uma das primeiras realizadas pela força-tarefa que busca indenizar familiares de vítimas e sobreviventes da tragédia.

*G1