Projeto lançado pelo Governo do Estado celebra memória e legado do educador baiano Anísio Teixeira

 

A partir desta sexta-feira (12), até o dia 12 de julho de 2020, o Governo do Estado da Bahia irá promover uma série de ações que visam celebrar a memória e o legado do educador baiano Anísio Teixeira. Para tanto, lançou neste dia, que marca o aniversário de 119 anos do educador, o projeto “2020: Ano Anísio Teixeira”. Duas iniciativas representaram o começo das atividades: a publicação do Decreto Nº 19.132, assinado pelo governador Rui Costa, que institui o projeto, e a solenidade de lançamento no IAT, instituto que leva o nome do educador e que tem a função, na estrutura da Secretaria da Educação do Estado (SEC), de promover a formação continuada dos educadores.

 

A solenidade contou com as presenças do secretário Estadual da Educação, Jerônimo Rodrigues; da secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação, Adélia Teixeira; e do filho de Anísio Teixeira, Carlos Antônio Teixeira; além de professores, gestores, estudantes da rede estadual e demais autoridades. Na oportunidade, foi assinada a portaria para a criação da comissão do projeto “2020: Ano Anísio Teixeira, que vai ser a responsável por organizar e planejar as atividades até 2020. Estudantes da banda Juventude Parqueana, do Centro Educacional Carneiro Ribeiro (Escola Parque), idealizado por Anísio Teixeira, realizaram uma apresentação musical e um vídeo sobre a vida do educador foi exibido.

 

O secretário da Educação do Estado, Jerônimo Rodrigues, falou sobre este reconhecimento a Anísio Teixeira. “Toda a agenda da Educação, neste segundo mandato do governo Rui Costa, está muito ancorada em um processo de valorização do ensino e da aprendizagem. Então, todo esse ano em homenagem aos 120 anos da vida do Anísio Teixeira é para reconhecer o que ele contribuiu para a gente na Bahia, no Brasil e no mundo, e, acima de tudo, vincular isso com a nossa política estadual de aprendizagem, e, é claro, uma agenda casada com o Currículo Bahia, com a Jornada Pedagógica de 2020, com as atividades nas universidades, nas redes municipais e nos meios de comunicação. Queremos estabelecer um bom diálogo entre o educador Anísio Teixeira, a democracia, a qualidade da educação e a Bahia”, destacou.

 

O coordenador do Projeto 2020: Ano Anísio Teixeira, Naomar de Almeida Filho, também falou sobre o impacto das ações que serão realizadas em todo o Estado. “É importante resgatar a memória de Anísio Teixeira, porque ele sempre defendeu uma educação para a libertação e não uma educação para a doutrina ou dogma. O pensamento de Anísio Teixeira é de muita importância para encorajar e inspirar a resistência. A gente espera que, ao final de um ano desse projeto, a memória e o trabalho de Anísio tenham uma divulgação e uma publicidade maior, para que a nova geração tenha conhecimento dessa figura e a geração mais antiga, da qual eu pertenço, relembre. Então, é o momento de reafirmar e reativar o papel de um lutador pela educação”, disse.

 

Presente ao evento, o filho de Anísio Teixeira, o professor Carlos Antônio Teixeira, agradeceu a homenagem de reconhecimento ao pai. “Ele era um homem avesso a homenagens, teve uma formação jesuítica muito forte, que fazia com que ele entendesse que sua atividade era parte de uma missão. Não tinha que merecer aplausos, podia receber até crítica, mas não tinha nenhum motivo para elogios. Agora, ele gostaria muito desta homenagem, se vivo fosse, porque atende muito ao espírito dele, que agrega discussão, questionamentos, hipóteses e isso era a vida dele, de gostar de questionar, de ter dúvida e de criticar. Esse exercício intelectual, por assim dizer, estava incorporado à maneira de ser dele. Quando eu vejo falar de escola sem partido, meu pai era a antítese disso, ele defendia não um partido determinado, mas defendia partidos e discussões permanentes. Tinha um prazer muito grande de discutir no sentido de ir até as raízes da questão e foi um pai no sentido liberal, no sentido amplo, tinha uma preocupação muito grande com o social”, relembrou.

 

Sobre o projeto – O projeto “2020: Ano Anísio Teixeira” será executado pelas  secretarias estaduais da Educação, de Cultura (SECULT) e de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) e pela Casa Civil, bem como pelos órgãos públicos envolvidos com o Ano Anísio Teixeira. Dentre as atividades que serão executadas estão o projeto para a implantação de um museu sobre o educador no IAT; o apoio à Casa Anísio Teixeira, em Caetité, sua cidade natal; o concurso de produção audiovisual; a reedição de livros sobre a vida e obra do educador; as ações formativas; as jornadas de planejamento pedagógico; e o I Seminário Internacional de Estudos Anisianos, a ser realizado em Salvador, no dia 12 de julho de 2020, com o objetivo de divulgar a vida e obra do educador nas redes internacionais de pesquisa em história e ciências da educação.

 

Outra ação será a Caravana Anísio Teixeira, que sairá de Salvador até Caetité, divulgando e mobilizando a sociedade e as instituições de ensino da Bahia, inclusive as de Ensino Superior para o projeto, dando visibilidade a todo o legado deixado por Anísio Teixeira. A Secretaria da Educação do Estado também realizará atividades culturais e educativas no âmbito da rede escolar pública estadual, mobilizando discentes, docentes, técnicos-administrativos e comunidade circunvizinha da escola nas homenagens e na produção cultural acerca da vida e obra de Anísio Teixeira.

 

Sobre Anísio – Anísio Spínola Teixeira nasceu no dia 12 de julho de 1900, na cidade de Caetité (636 km de Salvador), e morreu no Rio de Janeiro, no dia 11 de março de 1971. Ele foi bacharel em direito, gestor público, intelectual, educador e, no transcurso do tempo, se tornou personagem importante na história da educação no Brasil. Nas décadas de 1920 e 1930, ele difundiu as ideias do movimento denominado “Escola Nova”, cujo foco foi a renovação pedagógica da escola.

 

No período de 1924 a 1928, Anísio Teixeira conduziu, na Bahia, a gestão de governo para a educação, empreendendo a tarefa de avaliar as condições materiais e pedagógicas das escolas baianas.  Assinalou o modo como deveria acontecer a progressiva reestrutura do sistema de educação baiano, argumentando sobre a necessidade de uma educação diferenciada para os centros urbanos, para as pequenas comunidades rurais do recôncavo ou do sertão e para a população propriamente rural das fazendas e sítios.

 

Já no período entre 1947 e 1950, uma de suas iniciativas mais importantes como secretário de Educação e de Saúde foi a construção do Centro Popular de Educação Carneiro Ribeiro, popularmente conhecido como Escola Parque, localizada na Caixa D’água, em Salvador, fundada em 1950. A escola fez parte de um grandioso projeto que consolidou a Educação Integral na pedagogia brasileira. Atualmente, além do ensino regular, a Escola Parque oferta oficinas de artes visuais e música e possui uma biblioteca de rico acervo.




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