‘Enquanto as pessoas protestam, a caravana do governo vai trabalhando’, diz Temer em balanço da gestão

O presidente Michel Temer, em discurso nesta quinta-feira (12) na abertura de uma reunião ministerial, fez um balanço de sua gestão e afirmou que, “enquanto as pessoas protestam, a caravana do governo vai trabalhando”.

Essa foi a primeira reunião ministerial realizada após as mudanças nos comandos das pastas. Na última semana 11 ministros deixaram o governo, 10 deles para disputar as eleições de outubro.

Numa fala de mais de 20 minutos, o presidente listou aquelas que considera as principais medidas tomadas por seu governo. Ele citou ações nas diversas áreas, como economia, saúde e segurança. Depois, pediu à sua equipe que não se “incomode com críticas”.

“Não vamos nos incomodar com críticas, não vamos nos incomodar com aqueles que querem dizer ‘não, não pode isso, aquilo’, nós vamos em frente. Enquanto as pessoas protestam, a caravana aqui do governo vai trabalhando”, afirmou o presidente.

Temer ressaltou que dificuldades encontradas pelo seu governo, como a atuação dos partidos de oposição, deram “combustível” ao trabalho do Executivo. Ele citou também “outras questões que poderiam vir a embaraçar o governo”, sem citar um fato específico.

“Sabem todos que, sem embargo das dificuldades, dificuldades naturais, oposição, que é natural no regime democrático, outras tantas questões que poderiam vir a embaraçar o governo, ao contrário, isso serviu de combustível para que nós fizéssemos o que foi feito”, disse Temer.

Segundo o Planalto, as 29 pastas do governo enviaram representantes para a reunião, que teve a presença de 25 ministros. Também compareceram os presidentes do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli; da Caixa Econômica Federal, Nelson Antônio de Souza; e do BNDES, Dyogo Oliveira.

Intervenção no Rio

Ao abordar o tema da segurança pública, Temer afirmou que a intervenção federal no Rio de Janeiro já produz os “primeiros resultados”.

A intervenção na segurança do estado foi decretada no dia 16 de fevereiro. Desde então, o general do Exército Braga Neto é o responsável pela área e coordena as polícias e tropas federais no Rio.

De acordo com Temer, os efeitos desse tipo de medida não surgem “de um dia para o outro”.

“Nós tivemos que proceder uma intervenção nessa área no Rio de Janeiro, intervenção que já têm produzido os primeiros resultados, porque é evidente que elas não produzem resultado de um dia para o outro”, disse o presidente.

“Muitas vezes as pessoas pensam: ‘bom se editar um decreto aqui, uma lei, amanhã está tudo resolvido’. Não é assim, as coisas têm um ritmo, mas um ritmo muito célere. Os resultados já estão se apresentando no Rio de Janeiro”, completou.

O presidente declarou no discurso que no Rio “houve uma sensível redução de crimes após a intervenção federal”, porém não citou dados em seu discurso.

Economia

Como tem feito em discursos recentes, Temer destacou as quedas da inflação e dos juros como dois dos principais feitos de seu governo na economia. Hoje a Selic, taxa básica de juros, está 6,5% ao ano, o menor patamar desde 1986. A inflação de março, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi de 0,09%, a menor para o mês em 24 anos.

Ele também lembrou da regra que estabelece um teto para os gastos públicos. Segundo o presidente, o governo tem tomado “todas as cautelas para que haja obediência ao teto”.

Temer afirmou que, apesar das críticas de que a medida afetaria os gastos em educação e saúde, as duas áreas tiveram aumento de investimentos. Ele citou o reajuste da verba da merenda escolar e o investimento de R$ 1 bilhão na qualificação dos professores.

“O teto dos gastos públicos nenhum prejuízo causou a essa atividade educacional”, afirmou. “De igual maneira a saúde. [As críticas diziam que] a saúde seria inteiramente destruída com o teto dos gastos públicos, e o que houve foi um recorde de atendimentos nas unidades de saúde”, completou o presidente.

Impeachment de Barroso

Em entrevista após a reunião ministerial, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse que foi orientado pelo presidente Michel Temer a não levar adiante a ideia de apresentar ao Senado um pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso.

Segundo Marun, Barroso invadiu “competência exclusiva” de Temer ao alterar as regras de um decreto que abrandava regras para concessão do indulto de Natal a presos. O ministro pretendia se licenciar da função e retornar ao mandato de deputado federal para apresentar o pedido contra Barroso.

“O presidente entende que não é o fato de eu me licenciar para apresentar esse pedido de impeachment na condição de parlamentar, ou de simples cidadão, que vai afastar a impressão de que isso seria uma ação de governo”, explicou Marun.

“Estou reavaliando, reavaliei, e não devo fazê-lo nos próximos dias, não devo fazê-lo pelo menos enquanto for ministro”, completou.

Nesta quinta, Marun voltou a criticar o magistrado. “Tenho convicção de que em vários momentos o ministro Barroso tem desrespeitado a Constituição em suas decisões, e tem deixado que as suas preferencias político-partidárias se revelem nas suas decisões”, disse.

Defesa de Temer

O ministro Carlos Marun também defendeu o presidente Temer e disse que o chefe do executivo é vítima de perseguição.

Sem citar as delações dos executivos e donos da J&F e as denúncias apresentadas pela Procuradoria Geral da República contra Temer em 2017, ambas barradas pela Câmara dos Deputados, Marun disse que a “perseguição” se “agudiza” no momento em que Temer avalia tentar a reeleição.

“A perseguição é real, a conspiração aconteceu, hoje nós vivemos um outro momento. Existe um momento da PGR de responsabilidade, mas são evidentes os sinais de que essa perseguição continua, e que se agudiza nos momentos em que se avalia que o presidente Temer venha a disputar as próximas eleições”, ressaltou.

Perguntado sobre a viagem do presidente a São Paulo, nesta quinta, Marun afirmou que, alguém perseguido como Temer, seria “irresponsável” caso não tomasse cuidados.

A jornalista Andréia Sadi, colunista do G1, revelou que o emedebista decidiu ir a São Paulo. Ele utiliza esse tipo de viagem para se reunir com advogados e discutir o avanço das investigações do inquérito dos Portos.

“Alguém que sofre um ataque, uma perseguição dessas, se não tiver algum tipo de cuidado em relação a isso, seria um irresponsável. E a última coisa que o presidente Temer é, é um irresponsável”, disse Marun.

*G1