Delação de acusado de matar assessor de vereador pode ajudar a polícia a esclarecer caso Marielle

Preso há duas semanas pelo crime, Ruy Ribeiro Bastos fez um acordo de delação

A resolução do assassinato de Carlos Alexandre Pereira Maria, o Alexandre Cabeça, um assessor informal do vereador Marcello Siciliano (PHS) que seria ligado a uma milícia, pode dar à polícia mais uma pista no caso da execução da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Cabeça foi morto em 8 de abril, três semanas após o assassinato de Marielle e Anderson, em 14 de março. Preso há duas semanas pelo crime, Ruy Ribeiro Bastos fez um acordo de delação e confessou que matou Cabeça. Em depoimento à polícia, disse que a ordem partiu do miliciano Orlando de Curicica. Para os policiais, foi uma “queima de arquivo”.

Orlando de Curicica, segundo outra testemunha do caso, tinha interesse na morte de Marielle por estar incomodado com a atuação da vereadora em questões fundiárias numa região dominada por sua milícia. Não existe, até o momento, uma ligação concreta entre a morte de Cabeça e a execução da vereadora e do motorista, mas uma das linhas de investigação da polícia aponta que ele foi vítima de uma “queima de arquivo”. Ou seja: Cabeça teria sido morto por saber detalhes do assassinato da vereadora.

ORDENS PASSADAS POR CELULAR

Em seu depoimento, Ruy disse não ter sido informado sobre as razões para matar Cabeça e afirmou que apenas cumpriu uma ordem de Orlando, para quem trabalhava. Afirmou ter ouvido, apenas, que “a parada era grande”. Assim como ele, Cabeça também prestava serviços para o miliciano.

De acordo com Ruy, na época em que deu a ordem para matar Cabeça, Orlando estava preso na mesma galeria de Diogo Maia dos Santos, conhecido como DG ou Totó, na Penitenciária Bandeira Stampa (Bangu 9), no Complexo de Gericinó. Segundo a polícia, foi de lá, através de um celular, que partiu a ordem do assassinato de Cabeça — executado em um bar na comunidade da Boiúna, em Jacarepaguá, área de influência do grupo paramilitar. A vítima era uma espécie de gerente da quadrilha na localidade conhecida como Lote Mil, e tinha como função comprar cestas básicas para revendê-las com ágio para moradores.

 

*O Globo