NE tem apenas 1,6% das cidades mais desenvolvidas do País

O Nordeste ocupa apenas oito posições no ranking das 500 cidades com melhor desempenho no desenvolvimento social dos 5.471 municípios do País. Os dados foram revelados pelo Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), elaborado neste ano, com base nos dados coletados em 2016, pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

O estudo reúne os dados sociais de desenvolvimento, como nível de emprego, renda, educação e saúde. Os dados reforçam a grande desigualdade do País, onde 60,2% das cidades da região Norte apresentam índice baixo ou regular de desenvolvimento e o Nordeste ainda tem 50,1% de municípios subdesenvolvidos. Por outro lado, o Sul tem 98,8% de cidades desenvolvidas, e o Sudeste alcançou 92,9%. A conclusão do estudo da Firjan é que, enquanto o Centro-Oeste se destacou na inclusão de municípios neste índice, o Norte e Nordeste praticamente não tiveram nenhum avanço desde 2006.

Dois países

Por ser o maior estado do Nordeste, a Bahia lidera o número de cidades subdesenvolvidas listadas pela Firjan, 34%, enquanto cidades consideradas menos desenvolvidas são apenas 2,6% no Sudeste e 1% no Centro-Oeste. Na conclusão do IFDM, os pesquisadores da Firjan ressaltam que a desigualdade está “cristalizada” no País.

“O Brasil continua dividido em dois: Norte e Nordeste com menor desenvolvimento, e Sul e Sudeste com maior desenvolvimento”, disse o coordenador do estudo, Jonathas Goulart.

Além dos avanços nas cidades do Centro-Oeste, que se igualou ao Sul em desenvolvimento, o relatório da Firjan torna explícita a falta de bons indicadores nas regiões Norte e Nordeste. Em 10 anos, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás foram os que mais avançaram.

Enquanto isso, a Bahia teve 35 cidades que melhoraram os seus indicadores, seguida pelo Piauí, com 15 municípios, enquanto o Maranhão teve piora significativa nos índices de desenvolvimento, assim como o Pará e o Amazonas.

No mesmo estudo, a Firjan afirma que o Brasil só alcançará o nível de desenvolvimento que tinha antes da crise, em 2013, no ano de 2027. Em uma análise detida do nível de emprego e renda, o País avançou 7,6 em relação ao índice anterior, mas ficou 14,6% abaixo de 2013.

Este é mais um estudo que aponta os efeitos da crise econômica registrada entre 2014 e 2016, onde o País perdeu 6,9% do Produto Interno Bruto, com inflação acumulada de 20% no período. Os mesmos índices negativos foram considerados os piores da história, à frente da crise desencadeada entre 1930 e 1931.

*ATarde