Autores de massacre compraram armas brancas no site Mercado Livre; veja fotos das vítimas

Entre as armas brancas encontradas, além do arco, está uma machadinha e um machado, um deles usado para atacar alunos da escola, além de jet loaders (objeto para recarregar o revólver calibre 38). Um alvo para treino de tiro foi encontrado com perfurações.  Há ao menos 11 telefones celulares, quase todos relacionados a Guilherme.

O material também inclui uma série de acessórios de vestuário, tais como bandana de caveira e luva. Também há uma peça que representa o personagem Riuk, do mangá Death Note.

O quadrinho trata sobre um caderno que tem o poder de matar as pessoas cujos nomes foram escritos nele.

Há ainda um caderno de capa dura com anotações de Guilherme. O material deve ser analisado pela polícia, com objetivo de obter informações sobre o planejamento do crime.

Veja lista das vítimas:

Caio Oliveira, de 15 anos

Caio Oliveira, um dos mortos no massacre em Suzano — Foto: Foto: Redes sociais

Caio Oliveira, um dos mortos no massacre em Suzano — Foto: Foto: Redes sociais

Caio Oliveira, de 15 anos, é descrito como “uma pessoa super gentil e legal” pelo melhor amigo, Alysson Fiuza, da mesma idade: “Ele era meu melhor amigo. Considerava ele meu melhor amigo. Desde a primeira vez que ele veio falar comigo, quando me mudei pra Suzano, e não conheci ninguém, ele foi uma das primeiras pessoas que me acolheram na escola. E era uma pessoa super gentil, legal, pra mim ele era demais. Nunca pensei que isso fosse acontecer com ele. É uma coisa muito triste”.

Claiton Antônio Ribeiro, de 17 anos

Claiton Antônio Ribeiro, 17 anos, uma das vítimas do massacre de Suzano — Foto: Reprodução/TV Globo

Claiton Antônio Ribeiro, 17 anos, uma das vítimas do massacre de Suzano — Foto: Reprodução/TV Globo

Claiton “ajudava a gente quando precisava, não media esforços, inteligente e sempre fazia tudo na escola, na sala de aula, sempre quieto”, descreve Igor Ribeiro Ângelo, de 16 anos, seu amigo. “A gente estudava junto desde a 6ª série.”

Camile Rocha, de 15 anos, também fala sobre a empatia de Claiton: “A gente conversava muito, ele era um moleque incrível, maravilhoso de bom coração. Sempre ajudando o próximo. Ele era incrível”.

Douglas Murilo Celestino, 16 anos

Douglas Murilo foi uma das vítimas do ataque na Escola Raul Brasil em Suzano — Foto: Arquivo Pessoal

Douglas Murilo foi uma das vítimas do ataque na Escola Raul Brasil em Suzano — Foto: Arquivo Pessoal

Douglas, que era aluno do 2º ano do ensino médio, conseguiu sair da escola durante o massacre, mas voltou para ajudar a namorada, Adna Bezerra, também de 16 anos. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, mas não resistiu. Adna está internada na UTI do Hospital das Clínicas em São Paulo. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, seu estado é estável.

“Não tenho palavras para descrever como o Douglas era educado e maravilhoso. Eu perdi a conta de quantas veze cheguei na escola chateada e ele me animava. Sempre foi muito prestativo. Quem o conhecia sabe o privilégio que teve de participar da vida dele. Era um bom aluno e sempre estava com boas notas”.

Larissa diz que conhecia Douglas há pouco mais de um ano. Segundo ela, os professores eram carinhosos com o amigo. “Mas ele sabia a hora de brincar e a hora de estudar. Nunca vi o Douglas respondendo professor em sala de aula, sendo grosseiro ou levantando a voz com alguém. Ele era um menino que falava, mas era sempre reservado quanto às suas escolhas.”

Douglas gostava muito de andar de skate e frequentava a pista do Parque Max Feffer, onde fica a Arena em que ocorreu o velório coletivo das outras vítimas. Outro amigo do adolescente, Jonathan Alvim de Jesus, de 15 anos, o descreve como “corintiano roxo” e bom de bola. Afirma que Douglas, que frequentava a igreja todos os domingos, tinha o sonho de ser jogador de futebol para dar uma casa melhor para a mãe. Nos próximos dias, deveria fazer uma peneira no Corinthians – atuava na lateral.

Douglas dormiu na casa de Jonathan na quinta-feira (7), segundo o amigo. Jogaram videogame madrugada adentro e ficaram “conversando e dando risada”.

Kaio Lucas da Costa Limeira, de 15 anos

Kaio Lucas da Costa Limeira é um dos mortos do massacre em Suzano — Foto: Foto: Redes sociais

Kaio Lucas da Costa Limeira é um dos mortos do massacre em Suzano — Foto: Foto: Redes sociais

Kaio Lucas é descrito por um amigo como “uma pessoa alegre e que batalhava pelo que queria”. Lucas Vinícius, de 15 anos, conta que acreditava “muito no potencial” de Kaio.

“Ele queria ser jornalista esportivo e gostava muito de futebol. Uma perda muito triste. Eu mudei para outra sala de aula. Mas nos quatro anos que convivi com ele, ele sempre fazia a lição tudo certinho nunca foi desobediente, sem educação. Ele gostava muito de futebol e jogar bola. O Brasil perde um menino que poderia ser um grande jogador de futebol e jornalista de grande sucesso. E uma pessoa de um coração bom. Eu perco um grande amigo”.

Lucas afirma que Kaio o “mantinha informado sobre o mundo esportivo”. “Aula vaga, a gente jogava bola aqui no [parque] Max Feffer. No final de semana e feriado, a gente marcava jogar de futebol.”

Luís Gustavo Féba, de 15 anos, também era amigo de Kaio. Sobre ele, diz:

“Mesmo depois da separação dos pais, nunca ficou mal com a vida. Sempre foi feliz e tinha um sorriso no rosto. Ele era muito legal com a gente, e a gente jogava muita bola. Alegrava qualquer um que estivesse perto dele. Ele e o outro Caio sempre ficaram juntos. Quando o outro Caio ficava mal, ele o alegrava”.

Samuel Melquíades Silva de Oliveira, 16 anos

Samuel Melquíades é uma das vítimas do massacre em Escola Estadual de Suzano. — Foto: Reprodução Facebook.

Samuel Melquíades é uma das vítimas do massacre em Escola Estadual de Suzano. — Foto: Reprodução Facebook.

Samuel ajudava o pai nas pregações da igreja Adventista do Sétimo Dia.

“O Samuel era uma pessoa extremamente amorosa, um menino ativo. Na igreja que a gente frequenta, ele gostava de estar sempre à frente, gostava de fazer, acontecer. Era esse menino de várias facetas, que me surpreendia a cada dia, e eu só posso agradecer a Deus pelos 16 anos maravilhosos que concedeu tê-lo como filho”, disse seu pai, Gercialdo Melquiades de Oliveira.

José Silva, tio do garoto, afirma: “Era um menino dinâmico e especial”.

FUNCIONÁRIAS

Marilena Ferreira Vieira Umezo, de 59 anos

Marilena Umezu foi uma das vítimas do massacre na Escola Estadual de Suzano — Foto: Foto do Facebook.

Marilena Umezu foi uma das vítimas do massacre na Escola Estadual de Suzano — Foto: Foto do Facebook.

Primeira pessoa a ser morta no massacre, Marilena havia sido promovida recentemente ao cargo de coordenadora pedagógica da Escola Estadual Professor Raul Brasil – antes, dava aulas de filosofia para o Ensino Médio. Era casada e deixa filhos e netos.

O autônomo Eduardo Murici, de 47 anos, e amigo de Marilena, com quem frequentava a comunidade divino Espírito Santo.”Ela era catequista na igreja e deu aula para a minha filha. Há muitos anos, ela é da comunidade do Jardim Imperador e voluntária da igreja, porque temos a nossa Festa do Divino Espírito Santo”, diz. Marilena integrava o grupo de canto, no qual os filhos tocavam instrumentos.

Marilena era grande incentivadora da leitura entre os alunos. “As aulas dela sempre foram marcantes. As pessoas não davam atenção para a filosofia, mas sempre puxava a matéria para a realidade para chamar a atenção dos alunos nas aulas. Era uma mulher incrível. Fica saudade e uma perda grande para a educação brasileira”, lembra a ex-aluna Nicolle da Silva, de 20 anos.

Nicolle teve aulas com Marilena de 2013 a 2015. “Sempre foi companheira, conselheira e levava alegria onde precisava. Sempre foi uma professora maravilhosa. Sempre lutou por uma educação melhor dentro da Escola Estadual Raul Brasil. Tentava combater toda as coisas ruins que tinham dentro da escola.”

Eliana Regina de Oliveira Xavier, de 38 anos

Eliana Regina de Oliveira Xavier era inspetora na Escola Estadual Raul Brasil — Foto: Foto: Redes Sociais

Eliana Regina de Oliveira Xavier era inspetora na Escola Estadual Raul Brasil — Foto: Foto: Redes Sociais

Eliana, de 38 anos era inspetora na Escola Estadual Professor Raul Brasil.

“Ela era uma pessoa alegre extrovertida, não tinha quem não gostasse dela. Se fosse definir ela em uma palavra seria ‘alegria’. E amor pelos filhos, que ela tinha muito, falávamos bastante sobre isso, ela tem um filho chamado Felipe, eu também”, lembra Monica Mendes, de 38 anos, vizinha de Eliana.

DONO DA LOJA DE CARROS

Jorge Antônio de Moraes, de 51 anos

O comerciante Jorge Antônio Moraes, de 51 anos, foi baleado antes da entrada dos assassinos na escola e morreu; ele é tio de Guilherme, um dos assassinos. — Foto: Arquivo Pessoal

O comerciante Jorge Antônio Moraes, de 51 anos, foi baleado antes da entrada dos assassinos na escola e morreu; ele é tio de Guilherme, um dos assassinos. — Foto: Arquivo Pessoal

Jorge Antônio de Moraes tio de um dos assassinos. Foi morto na loja de carros da qual era dono e pouco antes do ataque à escola. “Ele era uma pessoa amiga, de caráter impar, alegre e divertido. Quando começou, ele ajudava muitos jovens do bairro, que empregava para lavar carro”, lembra Leandro Faria, de 40 anos e amigo do comerciante há mais de 20. “Ele era palmeirense e antigamente jogava futebol de salão. Era muito bacana e do bem. Um homem trabalhador e muito família.”

Feridos:

  • Adna Bezerra, 16 anos: estável
  • Anderson Carrilho de Brito, 15 anos: estado grave
  • Beatriz Gonçalves, 15 anos: estável
  • Guilherme Ramos, 14 anos: passa por cirurgia
  • Jenifer Silva Cavalcanti: estado grave
  • José Vitor Ramos Lemos: atingido com machado.
  • Leonardo Martinez Santos: passará por cirurgia
  • Leonardo Vinicius Santana: estável
  • Leticia Melo Nunes: estável
  • Murilo Gomes Louro Benite: estável
  • Samuel Silva Felix

*G1/Folha