Secretário do Ministério do Meio Ambiente também é vaiado durante Semana do Clima em Salvador

O Secretário de Relações Internacionais do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Castelo Branco, foi vaiado nesta quinta-feira (22), durante o quarto dia da Semana do Clima, que está sendo realizada em Salvador.

O episódio com Castelo Branco foi semelhante ao que ocorreu com o ministro do Meio Ambiente, Rodrigo Salles, na quarta-feira, também durante o evento.

As manifestações contra Castelo Branco ocorreram especialmente quando ele falou sobre os dados do desmatamento no país. Castelo Branco falava sobre a implementação da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) no Brasil, quando foi interrompido pelas vaias.

“Com relação ao desmatamento, a restauração e a regeneração de florestas. Isso é muito importante porque houve uma meta que até 2030 era ter dois milhões de hectares de florestas regeneradas e restauradas. Nós já temos 9,4 milhões de florestas naturais e dois milhões de florestas plantadas. Então nós temos 11,4 milhões, e estamos muito bem com relação ao compromisso para 2030”, disse o representante do ministério.

Posteriormente, ele foi interrompido novamente quando falava sobre compromissos de zerar o desmatamento ilegal.

“Temos também o compromisso de chegar ao desmatamento ilegal zero em 2030. É muito importante fortalecer o Inpe para que ele possa dar os dados cada vez mais…”, disse, até ser interrompido.

Ainda no palco, Castelo Branco comentou as vaias. “Eu passei 20 anos na Europa e sei o valor da democracia. Eu queria escutar também. Vou dar a voz para os senhores”, disse. Após a apresentação, ele saiu sem falar com a imprensa.

A Semana do Clima, que segue até sexta-feira (23), reúne participantes de 26 países.

O evento ocorre em meio à discussão sobre o aumento do desmatamento na floresta amazônica e aos anúncios de suspensão das doações da Noruega e da Alemanha ao Fundo Amazônia. Além disso, na segunda-feira (19), partículas oriundas da fumaça produzida em incêndios florestais nos estados do Acre e Rondônia e na Bolívia chegaram a São Paulo pela ação dos ventos, fazendo o dia virar noite.

Organizado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), o evento foi alvo de polêmica três meses antes de sua realização, após o ministro anunciar o cancelamento da semana e, em seguida, voltar atrás.

Na época, Ricardo Salles falou que “não fazia sentido” o Brasil sediar um encontro para preparar a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (Cop 25), que não vai mais acontecer no Brasil.

Para Salles, sem a Cop 25, manter o encontro em Salvador seria uma “oportunidade” apenas para a turma “fazer turismo em Salvador” e “comer acarajé”.

“Vou manter um encontro que vai preparar um outro, que não vai acontecer mais no Brasil, por quê? Não faz o menor sentido, vai para o Chile! Vou fazer uma reunião para a turma ter oportunidade de fazer turismo em Salvador? Comer acarajé?”, afirmou.

Perguntado quem seria a ‘turma”, ele disse: “sei lá, o pessoal de sempre”.

*G1