“Estamos em greve não porque gostamos, mas porque o governo só nos ouve quando radicalizamos”, diz professora da UNEB

As Universidades estaduais estão em greve deflagrada desde o dia 04 de abril, mas somente iniciada nesta terça-feira (09). A greve que é por tempo indefinido reúne docentes da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e a Universidade do Sudoeste da Bahia (Uesb) e tem como as principais reivindicações reposição salarial, promoção, investimento nas instituições de ensino e outras pautas.

De acordo com a professora da Uneb, Nora de Cássia Oliveira é muita as questões que fizeram a categoria paralisar as atividades. “O governo do Estado que desde 2015 se recusa a estabelecer um dialogo com a categoria docente e todos os anos protocolando nossa pauta de reivindicação e ele se negou a nos atender, marcar uma audiência, nos ouvir. Nossos repasses são sempre inferiores ao estabelecidos no orçamento, eles chamam de contingenciamento e eu prefiro dizer que é um corte. Nós não podemos comprar com aquele pouco que nos é liberado. Uma dificuldade de comprar livro e ter esse tipo de material”, frisou Nora.

A professora lembra que a ideia da greve não é prejudicar os estudantes, porque até eles reivindicam melhorias, mas sim alertar ao governo que medidas de urgência precisam ser tomadas. “Quando nós decidimos pela greve não é porque gostamos não, mas sim porque o governo tem provado que só nos ouve quando radicalizamos, pois as tentativas foram inúmeras.

Apesar de o governo ter garantido investir 34 milhões para as Universidades, os docentes relatam que não é suficiente porque outros pontos estão defasados. “Nós estamos a quatro anos sem nenhuma atualização em nosso salário base e a questão do orçamento é extremamente importante e nós vivemos uma situação constrangedora porque de forma autoritária ele ‘meteu a mão’ em nosso Estatuto do Magistério que define os nossos direitos, salários e etc”, acrescentou a professora.

Vale ressaltar, que apesar da greve, serviços de atendimento de nutrição, psicológico e outros prestados a comunidade permanecem funcionando normalmente. Até o momento a Universidade que está mobilizada, mas não paralisou as atividades é a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).

Assista entrevista completa abaixo: