Rússia pode posicionar mísseis em águas internacionais, diz Putin

 

 

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, advertiu nesta quarta-feira (20) que a Rússia poderia instalar seu armamento de nova geração, incluindo mísseis hipersônicos, não em terra, mas em águas neutras.

“Não há necessidade de instalá-los em águas territoriais ou mesmo na zona econômica especial. Com sua velocidade e alcance, esses mísseis podem ser colocados em águas neutras ou simplesmente no oceano”, disse Putin à imprensa depois de pronunciar o discurso anual do Estado da Nação.

Putin, que ameaçou apontar seus mísseis aos Estados Unidos se este país instalasse foguetes de curto e médio alcance na Europa, acrescentou que “ninguém proíbe os navios de guerra e os submarinos de deslocar-se por águas neutras”.

Nesse sentido, lembrou que a zona econômica especial é de 400 quilômetros, quando o foguete hipersônico Tsirkon, que supera em quase nove vezes a velocidade do som, tem um alcance de 1.000 quilômetros.

Putin pediu para que se comparasse os 10 ou 12 minutos que alguns mísseis que Washington poderia posicionar na Europa demorariam em alcançar Moscou com o que demoraria o novo armamento hipersônico russo para atingir seus alvos.

“Calcule quão rápido, em quantos minutos, essa peça pode alcançar seu alvo. Isso é tudo. E compare: 10 ou 12 minutos de voo até Moscou e quanto há até o centro de tomada de decisões que representa para nós uma clara ameaça. Eles não sairão ganhando”, garantiu.

Putin também se referiu à Ucrânia e à Geórgia, países que têm más relações com Moscou pelo apoio ao separatismo nos seus respectivos territórios e que pretendem ingressar na OTAN.

Ao mesmo tempo que ameaçou aos EUA, assegurou que o Kremlin segue disposto a negociar com Washington em matéria de desarmamento estratégico, mas ressaltou que “não pretende bater em uma porta que está fechada”.

“A Rússia é considerada quase a maior ameaça para os Estados Unidos. Eu digo às claras: não é verdade. A Rússia não ameaça ninguém. Todas as nossas ações no âmbito da segurança têm um caráter exclusivamente de resposta, ou seja, defensivo. Não estamos interessados no confronto e não o desejamos, menos ainda com semelhante potência global como os Estados Unidos da América”, destacou.

O chefe do Instituto da Europa, Aleksey Gromiko, declarou à Agência Efe que os países europeus não planejam abrigar novos mísseis americanos, já que em tal caso “a Europa Ocidental e Central pode se transformar de novo em um potencial teatro de operações militares com o uso de armas nucleares”.

Além disso, o analista, neto do lendário ministro de Relações Exteriores da União Soviética, Andrei Gromiko, considera que “do ponto de vista militar não tem nenhum sentido nem para a Rússia nem para os EUA instalar mísseis em terra na Europa”.

Nesse sentido, lembrou que, com o atual desenvolvimento da indústria militar, ambas as potências podem posicionar seu armamento no ar ou no mar e garantir sua segurança dessa forma.

*R7