MPF de São Paulo denuncia Temer e filha por lavagem de dinheiro

O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo ofereceu nesta terça-feira (2) denúncia à Justiça contra o ex-presidente Michel Temer (MDB) e uma filha dele, Maristela Temer, pelo crime de lavagem de dinheiro, agravado por ser praticado por associação criminosa.

João Batista Lima Filho, o Coronel Lima, e a mulher dele, Maria Rita Fratezi, são acusados pelos mesmos crimes. A força-tarefa da Lava Jato afirma que a reforma da casa da Maristela Temer foi financiada com dinheiro desviado das obras da usina nuclear de Angra 3.

A denúncia é desdobramento do chamado inquérito dos portos, que investigou se o então presidente da República Michel Temer tinha favorecido empresas do setor portuário com a edição de um decreto.

Ela ocorre 12 dias após o ex-presidente ser preso pela Lava Jato do Rio. Ele foi solto no dia 25 de março após decisão do desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

O caso estava no Supremo Tribunal Federal (STF) e foi remetido para São Paulo em janeiro, quando Temer deixou a Presidência e perdeu o foro privilegiado.

A casa de Maristela Temer tem 350 m² e fica no Alto de Pinheiros, um dos bairros mais valorizados da capital paulista. Em 2014, o imóvel passou por uma grande reforma.

Em nota, o advogado Fernando Castelo Branco, que defende Maristela Temer, disse que “ainda não teve acesso ao teor da acusação, mas tem absoluta confiança de que será demonstrada a sua inocência”.

Reforma

Durante a Operação Patmos, ocorrida em maio de 2017, a Polícia Federal (PF) encontrou planilhas, notas fiscais e documentos que indicam que o coronel Lima e a mulher dele cuidaram pessoalmente da reforma.

Durante meses, o delegado da PF Cleyber Malta Lopes ouviu prestadores de serviço e fornecedores de materiais para a obra. Eles afirmaram que os pagamentos eram feitos por Maria Rita Fratezi em dinheiro vivo, no canteiro de obra ou no caixa da Argeplan, a empresa de engenharia e arquitetura do coronel Lima.

Maristela Temer prestou depoimento para a polícia e negou que o pai tenha financiado a obra. Disse que era a responsável pela reforma e que teve ajuda financeira da mãe e que também fez um empréstimo bancário.

A PF avalia que a reforma custou pouco mais de R$ 1,6 milhão e é apontada como uma das principais provas do crime de lavagem de dinheiro praticado pelo ex-presidente.

*G1