‘Vou para o enfrentamento público’, diz Temer sobre recentes acusações

O ex-presidente Michel Temer (MDB) disse em entrevista à Folha de S. paulo que decidiu “ir para o enfrentamento, inclusive público” contra seus acusadores.

Fora do Planalto há pouco mais de três meses, afirma ser alvo de um “núcleo punitivista” do Ministério Público e que se considera um troféu da operação Lava Jato.

E é irônico ao falar das acusações, como quando afirma que corre o risco de ser considerado dono de concessionárias, frigoríficos e construtoras por ter editado medidas a favor desses setores. Disse que só aceitou dar entrevista porque quer “preservar a honra após ser vilipendiado”.

Afirma ainda que querem imputar a ele um “crime de amizade”, em referência ao coronel reformado da PM paulista João Baptista Lima Filho, dono da empresa Argeplan, suspeita de receber repasses de propina a seu favor.

Depois de ficar quatro dias preso em março e de se tornar réu quatro vezes nas últimas semanas, Temer afirma: “Fui surpreendido com essa detenção por duas razões básicas. Em primeiro lugar, eu sabia que o Supremo mandou os processos que estavam por lá para o primeiro grau de jurisdição. Eu não tinha nenhuma preocupação e meu advogado também não tinha em relação a uma eventual detenção neste momento, porque sequer tinha sido formatado o processo. Os procuradores fizeram um ‘catado’ de vários inquéritos e juntaram todos num caso que na verdade diz a uma questão específica, da Engevix e Eletronuclear. Eles pegaram todos os casos supostamente de inquéritos abertos ao longo do tempo, que estavam no Supremo Tribunal Federal, e juntaram num caso só”, disse.

“A prisão preventiva é para dizer que o sujeito é tão criminoso, tão abandidado que não pode ficar na rua, vai tramar contra nós”, avalia o emedbista.

Sobre os 100 dias do governo Jair Bolsonaro (PSL), o ex-presidente econômico nos comentários e evita fazer reparos, por exemplo, à relação conflituosa entre Executivo e Congresso atualmente.

“Cem dias é pouco para uma avaliação definitiva de um governo. Desses cem dias, o presidente Bolsonaro passou 18 dias no hospital, depois fez viagem para Davos de cinco ou seis dias, portanto não tem nem cem dias completos de ação governamental. Acho que o presidente Bolsonaro terá a condição de revelar o que foi feito, até por uma razão singelíssima: ele está dando sequência àquilo que nós fizemos.”

“Eu acho que melhorou muito [a relação entre Planalto e Congresso]. Nos primeiros momentos, houve afirmações um pouco entusiasmadas em relação ao Congresso Nacional, mas verifica-se, e historicamente é assim, que quem não tem relação com o Congresso não subsiste”, acrescentou Temer.

*Bahia.Ba