Mourão diz que manifestações contra bloqueio do MEC fazem parte do sistema democrático

O presidente em exercício Hamilton Mourão afirmou no início da tarde desta quarta-feira que atos como os que reúnem milhares de estudantes e professores em todo o país , contra o bloqueio de verbas para a Educação anunciado pelo governo federal nas últimas semanas, fazem parte do sistema democrático e, desde que sejam pacíficos, são um meio para “quem se sente inconformado” apresentar o seu protesto.

Quase simultaneamente, o presidente Jair Bolsonaro disse nos Estados Unidos que os manifestantes são “massa de manobra” e “idiotas úteis”. Em sua opinião, eles são manipulados por uma minoria que comanda as universidades federais.

— A manifestação faz parte do sistema democrático, desde que seja pacífica, ordeira e não limite o direito de ir e vir das outras pessoas, é uma forma que aqueles que se sentem inconformados têm de apresentar o seu protesto. Então, normal — declarou Mourão a jornalistas, na saída do gabinete da Vice-Presidência, no Palácio do Planalto.

O vice-presidente, que assumiu interinamente por conta da viagem de Bolsonaro a Dallas, no Texas, disse ainda que o governo tem falhado na comunicação ao tentar explicar o bloqueio de recursos no Ministério da Educação (MEC) e disse que a convocação do ministro da pasta, Abraham Weintraub, para prestar explicações no plenário da Câmara, nesta quarta, é “uma oportunidade”.

— O que existe não é corte, é contingenciamento, que ocorreu ao longo de todos os governos. Aliás, a única exceção foi o ano passado que o presidente (Michel) Temer liberou o orçamento em fevereiro, todo o orçamento foi liberado — declarou Mourão.

Ele destacou ainda as despesas que foram empenhadas em anos anteriores e não foram liquidadas. Segundo o presidente em exercício, o bloqueio é necessário porque o MEC tem R$ 32 bilhões de “restos a pagar”, valor que, na avaliação dele, tem grande impacto no momento em que o país está arrecadando pouco.

— (Weintraub) precisa, como acabei de explicar para vocês agora. Eu acho que se o ministro souber explicar direitinho, acho que vocês entenderam o que eu quis transmitir aqui, as coisas como estão acontecendo. Então, nós temos falhado na nossa comunicação, e agora é uma oportunidade, lá dentro do Congresso, que o ministro vai ter para explicar isso tudo – disse Mourão.

Em Dallas, Bolsonaro também afirmou que, “na verdade, não existe corte”, e que o Brasil estava destruído economicamente e com baixa nas arrecadações, “afetando a previsão de quem fez o orçamento”.

— E se não tiver esse contingenciamento eu simplesmente entro contra a lei de responsabilidade fiscal. Então não tem jeito, tem que contingenciar. Mas eu gostaria (que não cortasse) nada, em especial na educação — declarou o presidente.

*OGlobo




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