Câncer de próstata causa 1,6 mil internações na Bahia

O diagnóstico que o aposentado Ronaldo Fonseca Cavalcante, 71, recebeu há, aproximadamente, seis anos foi severo. Não existiu uma maneira adequada que fizesse com que a notícia chegasse sem causar um grande impacto em sua vida.

No primeiro momento, veio a angustia e o desespero, depois, praticamente um ano de isolamento. “Não queria falar com ninguém, vivia esperando a morte chegar”, diz Ronaldo.

Foram assim os primeiros anos de luta contra o câncer de próstata enfrentado pelo aposentado, que, mesmo com dois diagnósticos da doença na família – o pai e o avô tiveram o tumor –, não conseguiu romper as barreiras do preconceito e resistia em realizar o exame de toque retal, um dos procedimentos indicados para identificar o câncer.

Após decidir participar de corridas de rua e entrar na academia, Ronaldo precisou realizar o exame de PSA, um dos principais exames de rastreamento do câncer de próstata, que sempre dava um resultado abaixo do necessário para a constatação da doença. Foi em 2011 que o aposentado resolveu, enfim, fazer o exame de toque, período em que veio à tona o resultado indesejável.

“Foi um caso puramente de machismo. Vi meu pai e meu avô lutarem contra essa doença, os acompanhei no hospital até a morte. Foi um sofrimento vê-los naquela situação, mas, mesmo assim, não me importei em fazer os exames. Achei que não aconteceria comigo”, desabafa Fonseca.

No Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia, em 2015, 14.484 homens morreram em decorrência do câncer de próstata, e parte desse índice se deve a fatores culturais e ao preconceito por parte da população masculina.

Novos casos

Dados da Secretaria Estadual de Saúde da Bahia (Sesab) revelam que, até agosto, o Estado registrou 1.609 internações por neoplasia maligna da próstata.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima que mais de 61 mil novos casos de câncer de próstata sejam diagnosticados no Brasil. Somente na Bahia, a estimativa é de mais 3.910. Destes, 740 novos casos na capital.

Oncologista clínico do Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB), Rafael Batista, pontua que boa parte dos homens ainda tem preconceito com relação ao exame de toque.

“Aos poucos temos vencido esse preconceito, que vem da falta de informação. O próprio Novembro Azul é um alerta para a prevenção e já ajuda a vencer essas barreiras. De forma geral a minha impressão é que os homens estão mais atentos à saúde e mais conscientes de que é preciso se prevenir”, diz o médico.

Exames

Os principais exames de rastreamento do câncer de próstata são o PSA, o exame digital da próstata e o toque retal. Segundo o oncologista, não basta fazer um sem realizar o outro.

“Nenhum exame de sangue substitui o toque retal, eles são complementares e ambos têm seu papel. O exame de toque realizado por urologista treinado é capaz de identificar alterações que o exame de sangue não detectaria”, explica.

O profissional alerta sobre a importância do diagnóstico precoce: “Nos estágios iniciais, geralmente, a doença não apresenta sintomas. Já nos estágios mais avançados os sintomas podem ser dor nos ossos, quando há metástases ósseas, retenção urinária, sangue na urina e dor ao urinar”.

Na população geral, a recomendação é que o homem passe por uma avaliação com um urologista anualmente, a partir dos 50 anos de idade.

“Pessoas com histórico familiar de câncer de próstata em parentes próximos são considerados de alto risco. O rastreamento deve ser individualizado e, nesses casos, iniciado mais precocemente. A indicação é que seja a partir dos 45 anos”, orienta Rafael.

Diagnóstico precoce

Os tratamentos atuais, segundo o oncologista clínico do Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB), Rafael Batista, são altamente capazes de curar o câncer de próstata, desde que a doença seja detectada em fase inicial.

“Mesmo com a doença avançada é possível ter um controle por muitos anos, como outra doença crônica qualquer a exemplo de hipertensão e diabetes”, diz.

Os principais fatores de risco para desenvolver câncer de próstata são tabagismo, histórico familiar, sedentarismo, obesidade e dieta rica em gordura e açúcares e pobre em fibras e vegetais.

Além do cuidado médico, outras recomendações podem ser dadas à população masculina para que desde cedo desenvolva a consciência para o auto cuidado e tenha melhor qualidade de vida e longevidade.

Exemplo disso é a inclusão de atividade física regular, evitar o tabagismo e ter alimentação saudável, priorizando legumes, verduras e frutas e evitando exageros em relação à gordura animal.

*ATarde