A morte de Luís Eduardo aos 43 anos, destampou uma espécie de panela de pressão

 Sem ele, os personagens da política baiana passaram a disputar não apenas espaço de poder, mas principalmente as graças do grande cacique. Nesse novo momento, não apenas ACM lançava seus homens ao mar. Eles também passaram por conta própria a pular do barco.

Preteridos para diferentes cargos, em diferentes eleições, deixaram o carlismo ao longo do tempo políticos como o ex-governador João Durval (que agora no PDT “rouba” uma vaga do grupo no Senado), o ex-prefeito Mário Kertezs (que abandonou a carreira política) e o ex-presidente da CPI que derrubou Fernando Collor, Benito Gama (que pulou para o PMDB, está no PTB e perdeu duas eleições consecutivas).

Na lista de baixas, ainda o ex-ministro de Minas e Energia Raymundo Britto, trocado no cargo no governo FHC pelo também neófito em política Rodolpho Tourinho, e Waldeck Ornellas, que chegou ao Senado, mas não teve a bênção para disputar o governo da Bahia e voltou para a universidade.

Com o acirrar das disputas internas do grupo, abertas pela ausência de Luiz Eduardo, começaram também as derrotas nas urnas, a mais espetacular delas em 2006, quando o carlista Paulo Souto perdeu uma reeleição tida como certa para o Palácio de Ondina para o petista Jaques Wagner, enquanto Tourinho perdia a cadeira no Senado para o pedetista e ex-carlista João Durval.

Hoje, o carlismo baiano mantém duas cadeiras no Senado, a do próprio ACM e a do ex-governador César Borges, numa bancada de 17 “democratas”. Tem ainda uma influência mais ou menos direta sobre um universo estimado em 20 deputados federais, numa bancada de 57. Não é pouco.

Sem ACM, o grupo continuará unido, porque senão será fatalmente vencido. Mas a liga é mais difícil e a liderança certamente será disputada a foice. Essa disputa pode começar, sinuosamente, pela própria família, onde despontam dois netos de ACM.