O rei da Bahia

A morte do poderoso senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) completa o ciclo de mudanças do PFL, 27 anos depois de sua fundação: trocou a sigla para DEM, substituiu o ex-senador Jorge Bornhausen (SC) depois de décadas na presidência e está em busca de uma nova imagem, bem mais moderna, para se contrapor à esquerda.

Quem está no comando é a “turma jovem”, sem o carimbo do apoio à ditadura militar que vem da Arena e do PDS.

Como o próprio Bornhausen já vem dizendo há meses, toda a sua geração (incluindo aí ACM) passou a ser coisa do passado. Sua fixação é que o novo DEM tem que se projetar para o futuro, criando principalmente condições de maior independência do PSDB (com o qual dividiu chapas em 1994, 1998 e 2006) para disputar eleições presidenciais com candidaturas próprias.

Os dois líderes viviam às turras. ACM, o passional coronel nordestino, e Bornhausen, o “alemão”, sulista e frio, discordaram várias vezes, inclusive sobre ser ou não oposição a Lula.

Bornhausen venceu as duas últimas batalhas: o DEM é o partido que faz oposição mais nítida ao governo, ao contrário do que tentou ACM no início, e o novo presidente é o deputado Rodrigo Maia (RJ), não o também deputado ACM Neto, o principal herdeiro político de ACM. Bornhausen achava que seu nome, ao contrário do de Maia, “remetia muito à ditadura militar”.

“Mas todos vão prestigiar o ACM Neto, que não é apenas um político talentoso e competente como também o herdeiro natural do mito que ACM continuará sendo