Petróleo é projeto

Apesar de Lula ter mencionado a hipótese de o ex-senador José Eduardo Dutra (SE) ser candidato a presidente do PT, ela não nunca foi provável. Dutra está a um passo de presidir a BR Distribuidora. E não está em seus planos concorrer a prefeito de Aracaju em 2008.

durante muito tempo na Bahia, um mito fundamental para o partido”, disse Rodrigo Maia. A principal preocupação é manter a força do DEM na Bahia.

ACM Neto é, de fato, prestigiado no DEM e no próprio Congresso, mas a verdade é que o espólio carlista vem se esgarçando devagar e sempre desde que o deputado federal Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) morreu, em 21 de abril de 1998. ACM sobrevivia com a força conquistada no passado, mas perdeu a perspectiva de poder futuro, que tentou recuperar com ACM Neto, sobrinho de Luiz Eduardo.

O velho senador, que só em raros momentos provou o gosto de ser oposição, como no governo Lula, comandou seu grupo político na Bahia com mão de ferro, selecionando nas universidades quadros bem formados e obedientes, a quem impôs uma lei: ele mandava, todos obedeciam. Com sua morte e depois da surpreendente derrota para o PT, em 2006, vai haver certamente um reequilíbrio no grupo carlista.

Se foi autoritário e antigo na forma, ACM também foi considerado moderno e desenvolvimentista no conteúdo. Mesmo setores da esquerda, como o deputado e ex-ministro Aldo Rebelo (PC do B-SP), admitem que a Bahia que ele deixa avançou muito mais, em várias áreas, do que os vizinhos nordestinos –do que o Maranhão de José Sarney, por exemplo.

São muitos os políticos que despontaram pelas mãos de ACM e que foram sendo jogados ao mar também por ele, enquanto Luís Eduardo era vivo e sucessor inquestionável na Bahia, com pretensões de disputar a Presidência já em 2002. Sua presença mantinha o grupo carlista e suas ambições sob controle. Ninguém ousaria competir com o filho do rei.