Menino Negro – Ten. Carlos Vaz

Que tem cor de noite escura

E nessa noite em brumas

Um abrigo procura

Menino negro

Não teve pai pra lhe sustentar

Não conheceu os carinhos de uma mãe:

Só arranhões, no corpo desnudado,

Só a angústia, no coração a sangrar.

Os olhares na rua

Atestam que o preconceito não morreu

E vive entranhado na sociedade

Condenando aquele menino

A ser réu sem liberdade

Menino negro

Não entrou na roda

Mas, com a força de seus braços,

Fez a roda girar.

Acorda Brasil,

Teu filho negro é quem te fala:

– Não transforme o coração do mundo

Em uma grande e fria senzala!