A expectativa Obama e a cruel realidade

 

 

O surgimento de lideranças é coisa normal em qualquer sociedade e em qualquer época. O  preocupante é quando esse processo termina por suscitar expectativas demasiadas e, muitas vezes falsas. No caso de Obama, por exemplo. A expectativa com ele, como a que houve com Lula, é muito grande. Eu, particularmente, não me decepcionei com Lula porque não imaginei que ele seria o caçador de marajás e nem que conseguiria impedir a roubalheira.  Muita gente diz que se decepcionou com ele, mas talvez isso só tenha acontecido com pessoas que alimentaram grandes expectativas em relação à figura do primeiro homem do povo Presidente da República.  Essas mesmas expectativas se somam agora ao mandato de Obama, tido como o novo líder que vai promover a paz mundial.  Alguém tem que levantar a racionalidade na questão Obama para dizer que o novo presidente dos EUA representa um país que acha interessante guerrear, produzir armas para exportação e bater nos pequenos para mostrar aos grandes que tem força. Obama, para mostrar que é um bom presidente para o seu povo, vai ter de mostrar que sabe jogar esse jogo.  Vai ter de ser duro contra os terroristas e contra inocentes, por causa dos terroristas. Das duas uma: ou Obama vai ser um presidente ruim para os americanos e grande líder global ou um líder odiado no exterior mas com bons resultados dentro de casa.  Esse é um paradoxo que o tempo se encarregará de decifrar – enquanto isso ficamos torcendo para que o primeiro negro na Casa Branca consiga o impossível: conciliar as duas coisas.  E o pior- Obama está assumindo um Império que começa a declinar e para garantir que este não desabe justamente nas suas mãos vai ter de pisar mais ainda nos pequenos que estão ao seu redor.