Educação e Ética – enviado pelo Ten. Carlos Vaz

O respeitado sociólogo Pierre Weil (1993, p.23-33), estabelece que o homem pós-moderno tem uma visão fragmentária do mundo, inclusive nas relações com os outros. Ele afirma que “somos agressivos com as pessoas que nos cercam e reclamamos quando elas nos ferem. Agimos como se nossos atos não tivessem conseqüências…” Essa visão fragmentária, bem como a difusão de uma cultura do individualismo, tem contribuído sobremaneira para a desvalorização do discurso e da vivência ética. Vivenciamos um sistema educacional que valoriza extremamente a formação técnica para o mercado de trabalho em detrimento do direcionamento para uma base ética no desenvolvimento cognitivo e afetivo do ser humano. Assim temos contemplado profissionais altamente gabaritados no sentido técnico e cientifico, porém, desestruturados moral e afetivamente.  Segundo Weil, confundimos educação com ensino. Vejamos que ensino tem um caráter meramente de formação sensorial e intelectiva, enquanto que educação, não pode prescindir de uma relação da razão com as áreas da emoção, intuição e  sensibilidade. Creio que, somente atrelando a ética de maneira transversal na educação, desde as séries iniciais, poderemos construir uma sociedade onde os profissionais, sejam eles da iniciativa privada ou do setor público, estejam comprometidos com os princípios éticos, dentre eles o respeito pelo outro, pela dignidade humana, sem os quais não podemos falar de sociedade desenvolvida, nem de qualidade na prestação de serviços. 

José Carlos Vaz Miranda é poeta, policial militar e educador.