Professora morre por falta de UTI em Santo Antônio de Jesus

Estive vendo de perto a situação de Aílton da Silva Lima que estava acompanhando a sua esposa vítima de pancreatite, Josinete Pinheiro Rocha, durante procedimentos médicos no Hospital Luis Argôlo.  O próprio médico que atendeu à paciente, Dr. Antônio Carlos, lembrou que o caso de Josinete não era incurável, não se tratava de uma situação tão grave como o câncer, por exemplo.  Se houvesse um acompanhamento adequado poderia haver uma resposta positiva por parte do organismo da paciente.  Ouvimos Dona Josinete pedir por ajuda, suplicar para que não a deixassem morrer já que tinha filhos para criar. Naquele momento a professora Josinete era informada pelo médico de que uma UTI móvel estava vindo de Salvador para atendê-la e, desta forma, tentar salvar sua vida.  Respondeu ela:  – ” Se eles me encontrarem viva ainda… ”  Ela gritava o tempo todo de dôr.  Dona Josinete acabou morrendo. Dr. Antônio Carlos, durante a entrevista que gravei com ele, estava muito emocionado e indignado, perguntando o tempo todo até quando estaremos expostos a situações como esta em que casos que tem solução acabam se tornando sentenças de morte pela falta do equipamento adequado para garantir vida a um paciente do SUS em Santo Antônio.  Apesar de darmos tantos votos a deputados que chegam aqui pedindo a força da nossa gente, nenhum deles se dignou a trazer para cá uma Unidade de Terapía Intensiva.  Não temos sequer uma UTI móvel.  Vera Cruz, aqui bem perto, tem. Dizem que é porque trata-se de cidade turística, mas nesse caso o que dizer de Santo Antônio de Jesus, que é a maior cidade da região?  Não temos sequer mais cirurgia pelo SUS na cidade. Estamos regredindo na saúde e, infelizmente, parece que a situação não vai mudar, pelo menos até a inauguração do Hospital Regional.