Boxes do galpão de farinha da feira livre de Santo Antônio de Jesus têm energia interrompida há mais de três meses

Os comerciantes do galpão de farinha da feira livre de Santo Antônio de Jesus reclamam do corte de energia dos boxes que foi realizado há mais de três meses prejudicando os cerca de 40 feirantes do local. Sem energia, freezers e geladeiras nos boxes dos que comercializam bebidas e comidas permanecem desligados e os prejuízos já começam a surgir. Maura de Souza Nogueira, de 77 anos, possui boxe na feira há 50 anos. Segundo ela, muitos já estão abandonando os boxes. “Pago R$ 190 por quatro boxes. Sem energia, vendi três, mas a pessoa me devolveu porque alegou prejuízo. Vendo fumo e cerveja, que deixei de comercializar porque não tenho como gelar. Por isso passei a vender cachaça, mas tem dia que não tiro nem R$ 10”, lamentou.

No galpão da feira livre tem energia, mas a dos boxes foi interrompida  pela Cooelba apos dewscobrir diversas ligações clandestinas feitas por alguns feiranes. Por conta disso, a prefeitura foi notificada e a energia interrompida até que a situação seja resolvida. Enquanto isso, os feirantes que possuem boxes onde comercializam bebidas e alimentos sentem os prejuízos pelo corte de energia. É o caso de Maria Laura Santos de Jesus, que há14 anos trabalha no galpão de farinha. “Vendo bebidas e comida pra quem trabalha aqui e quem vêm de fora. Sem energia, tenho que comprar gelo e gelar as bebidas num isopor, o mesmo faço com temperos e carnes para não estragar. É uma dificuldade enorme. Estamos lutando junto à prefeitura para que cada um tenha seu padrão de energia e pague por ela individualmente”, sugeriu.

Na mesma situação encontra-se Rita de Cássia Santana, que compra cinco sacos de gelo por dia gastando quase R$ 200. “Cada saco de gelo custa R$ 40 e já pago R$ 100 pelo aluguel do box. É muito prejuízo. Antes vendia até seis caixas de cerveja e hoje não chega a duas”, alegou. O comerciante de farinha Carlos Alberto Sena, de 53 anos, não pode usar a balança eletrônica sem energia. “Tenho geladeira para colocar água e comida porque fico aqui o dia inteiro. Mas a balança para pesar os produtos eu não posso usar porque é eletrônica e precisa de energia”, contou. Rodrigo Lopes, sofre do mesmo problema. “Tive que aposentar a balança eletrônica. Não posso usar. A gente passa o dia no galpão de farinha e sem energia fica complicado”, lamentou.

Segundo o secretário de Infraestrutura da Prefeitura de Santo Antônio de Jesus, César Queiroz, a empresa prestadora de energia descobriu que os desvios no galpão da farinha, os conhecidos ‘gatos’, eram enormes gerando uma conta para a prefeitura de cerca de R$ 5 mil por mês. “Por causa disso a prefeitura foi notificada. Não é que exista falta de energia no galpão da farinha, mas uma interrupção dos desvios. Temos um projeto em andamento e em um mês ele estará pronto para ser executado e prevê a instalação de padrão de energia individual, onde cada feirante ficará responsável pelo consumo e conta do seu box”, garantiu.

 Antônio Galvão, diretor de Indústria e Comércio, informou também que o galpão da feira livre foi construído para funcionar das 7h às 17h. “Nesse período não há necessidade de energia. Além disso, muitos feirantes começaram a mudar o objetivo quando a feira é setorial. Antes era só farinha, passaram a vender bebidas e alimentos e, por conta disso, fizeram gatos de energia, o que é ilegal”, lamentou.

Cristina Pita