A Comissão de Educação e Cultura da Câmara aprovou por unanimidade um excelente projeto do deputado Newton Lima, do PT de São Paulo, que autoriza expressamente a publicação de biografias sem autorização do biografado ou de sua família. O projeto mexe no direito à imagem, que vem sendo utilizado para censurar livros que não sejam da mais alva chapa-branca. Um dos livros censurados com base no direito à imagem, embora a Constituição proíba a censura, foi a biografia de Roberto Carlos, de Paulo César Araújo; houve também tentativas da família de Garrincha de censurar A Estrela Solitária, magnífico livro de Ruy Castro (nesse caso, a tentativa de censura fracassou). O projeto de Newton Lima retoma iniciativa semelhante do deputado Antônio Palocci, também do PT paulista, que tinha sido aprovado em todas as comissões mas engavetado discretamente. O voo de São Marcos Marcos, goleiro titular da Seleção brasileira que ganhou a Copa do Mundo, goleiro do Palmeiras, tem uma característica incomum: é respeitado por todas as torcidas. Tem outra característica incomum no profissionalismo: nunca quis deixar o Palmeiras – o que só pretende fazer quando pendurar as chuteiras. Celso de Campos Jr., que se notabilizou por uma esplêndida biografia de Adoniram Barbosa, escreveu São Marcos de Palestra Itália, livro que já está nas livrarias (Editora Realejo). Mas apresse-se: o Palmeiras quer censurar o livro, sabe-se lá por que motivo. (…) E qual o problema do Palmeiras com o livro? Ninguém diz: só informaram ao autor que ele não pediu licença ao clube. E desde quando é preciso pedir licença a alguém para escrever um livro? Pior ainda, há a certeza de que a biografia de Marcos faz dele um retrato favorável: não é à toa que o jogador de um grande clube é apreciado pelas torcidas adversárias. Enfim, chega de censura. Marcos merece uma boa biografia, Campos Jr. sabe fazê-la. E quem for contra que explique à Justiça que a Constituição está errada. ( Observatório da Imprensa)




