Imagem de menino em Gaza comove o mundo em meio a bombardeios; ao menos 41 palestinos morreram no domingo

Vídeo mostra criança pedindo ajuda enquanto região enfrenta nova onda de ataques após confronto entre Israel e Irã

Um vídeo que circula nas redes sociais tem emocionado o mundo: o pequeno Yusuf, coberto de fuligem e com os olhos marejados, levanta a mão em um gesto de desespero em meio aos escombros de Gaza. A imagem foi registrada durante mais uma série de bombardeios na região, que vive um agravamento do conflito após os recentes ataques entre Israel e Irã.

REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

Neste domingo (15), ao menos 41 palestinos foram mortos na Faixa de Gaza em tiroteios e ataques aéreos atribuídos a Israel, segundo autoridades locais de saúde. Entre as vítimas, estavam cinco pessoas que se aproximavam de dois centros de distribuição de ajuda da FHG (Fundação Humanitária de Gaza), apoiada pelos Estados Unidos.

No Hospital al-Awda, na região central de Gaza, médicos relataram que três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas ao tentarem chegar a um ponto de ajuda próximo ao corredor de Netzarim. Outras duas morreram a caminho de um centro de distribuição em Rafah, no sul. Na cidade de Beit Lahiya, ao norte, sete pessoas foram mortas em um ataque aéreo. Em Nuseirat, no centro da Faixa, um bombardeio israelense matou ao menos 11 pessoas de uma mesma casa. As demais mortes ocorreram em outras ofensivas no sul do território. O Exército de Israel não se pronunciou sobre as ações.

A FHG, que retomou as distribuições de comida no final de maio, após um bloqueio de quase três meses imposto por Israel, informou neste domingo que voltou a entregar alimentos. Mais de dois milhões de refeições foram distribuídas em seus três centros, segundo comunicado da fundação, que afirmou que não houve incidentes.

Apesar disso, a ONU criticou o novo sistema de distribuição, apoiado por Israel, considerando-o “inadequado, perigoso e uma violação dos princípios de imparcialidade humanitária”.

A agência israelense Cogat, responsável por coordenar a entrada de ajuda, afirmou que facilitou, na última semana, o envio de 292 caminhões com mantimentos da ONU e de outras entidades internacionais, incluindo farinha e outros alimentos. Segundo o órgão, o Exército israelense continuará permitindo a entrada de ajuda humanitária, desde que o material não chegue ao Hamas — grupo acusado por Israel de desviar os recursos. O Hamas nega as acusações e diz que o Estado israelense está usando a fome como arma de guerra contra os civis palestinos.