Lula convoca reunião de emergência para discutir tarifa de 50% imposta por Trump sobre exportações brasileiras

Presidente articula resposta ao tarifaço dos EUA e avalia medidas para proteger setores afetados e preservar empregos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou uma reunião de emergência com ministros no Palácio do Planalto, na tarde desta quarta-feira (30), para discutir a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, elevando a taxa total de importação para 50%.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O encontro tem como objetivo analisar o impacto da medida na pauta de exportações brasileiras e propor ações para reduzir os danos à economia nacional, com foco na manutenção de empregos e no apoio a setores prejudicados. A tarifa entrará em vigor nos próximos sete dias.

Participam da reunião o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) — que lidera as conversas com empresários e a tentativa de negociação com os EUA —, e os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União). O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está nos Estados Unidos e será representado por um secretário do Itamaraty.

O governo brasileiro também solicitou um relatório conjunto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e ao Itamaraty sobre os possíveis efeitos econômicos da decisão de Trump, que isenta alguns itens como minérios, alimentos, fertilizantes, produtos energéticos e aeronaves civis, mas mantém a taxação sobre carne, frutas e café — três pilares das exportações brasileiras para o mercado americano.

O decreto assinado por Trump justifica a medida como resposta a “políticas e ações do governo brasileiro que ameaçam a segurança nacional e a economia dos EUA”. No documento, a Casa Branca faz menção direta ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a uma suposta perseguição conduzida pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes.

A decisão eleva a tensão diplomática entre os dois países e preocupa o governo brasileiro pela possibilidade de impactos significativos em setores estratégicos da indústria e do agronegócio.