O ex-prefeito de Castro Alves, Thiancle Araújo, fez duras críticas à postura de setores da extrema-direita brasileira e comentou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, durante entrevista ao radialista Léo Valente no programa Levante a Voz, da Rádio Andaiá FM. Ele também abordou o atual cenário político e econômico, incluindo o chamado “tarifaço”, e defendeu a preservação da soberania nacional.

Segundo Thiancle, parte do debate político tem sido marcada pela falta de posicionamento claro. “Algumas pessoas, quando a gente aborda esses assuntos, ficam naquele meio termo assim, de dizer, se eu falar mal do pessoal aqui, vou me queimar com o público de Bolsonaro. Mas se eu falar de outra forma, eu vou me queimar com o público do PT. E o povo gosta de posicionamento”, afirmou.
Ao falar sobre a prisão domiciliar do ex-presidente, o ex-prefeito classificou como “absurdo” o argumento de que há ditadura no país. “Absurdo é o pessoal da extrema-direita querer dizer que quer, na verdade, dizer que quer liberdade de expressão, mas o que eles querem é liberdade de agressão, é liberdade de humilhação. O pessoal da extrema-direita tem a liberdade hoje de fazer um discurso chamando o presidente do STF, o ministro do STF de bandidos, de chamar o presidente da república de bandido. Tenha coragem de colocar um agente nos Estados Unidos para boicotar o país, para articular o boicote do país. E não teve boicote na casa deles. Não teve polícia clandestina na casa deles. Então, quer dizer que isso aqui é uma ditadura? Aqui está se garantindo a democracia”, disse.
Thiancle destacou que nenhum direito é absoluto, nem mesmo a liberdade de expressão. “Todos nós sabemos que nenhum direito é absoluto. O direito à liberdade não é absoluto. Se uma pessoa comete o crime, o Estado tem o direito de colocá-lo na cadeia. E se o direito à liberdade como um todo não é absoluto, o direito de liberdade de expressão também não será. Ninguém é dado o direito de ter a liberdade de agredir o outro, de agredir a minoria.”
Ele também acusou os Estados Unidos de interferirem nos interesses internos do Brasil. “O que está se acontecendo hoje no país, no momento atual, é uma chantagem clara e explícita de um país imperialista como os Estados Unidos, querendo colocar no poder, na presidência do nosso país, alguém que bata a continência para a bandeira americana e não para a bandeira do país. Estamos vendo agora está se desnudando os falsos patriotas. Quem vestia a bandeira do Brasil, mas não defendia o Brasil.”
O ex-prefeito defendeu que o Brasil amplie seus mercados e reduza a dependência econômica dos EUA. “Hoje está claro que é necessário que o país busque mais mercados, que esteja com os empresários com mais mercados para poder vender seus produtos, para não depender dos Estados Unidos. Porque os Estados Unidos, naturalmente, vão pensar primeiro neles, segundo neles, terceiro neles.”
Ao comentar o aspecto jurídico da prisão de Bolsonaro, Thiancle afirmou que é papel do ex-presidente buscar a Justiça para tentar provar inocência, mas que “está clara a tentativa de um golpe que aconteceu no país”. Ele criticou a atuação do ex-presidente fora do Brasil. “Jamais, jamais fazer o que está fazendo. Colocar o filho nos Estados Unidos para articular um golpe às instituições democráticas do país.”
Para ele, permitir que interesses externos interfiram no Judiciário brasileiro seria um ataque direto à democracia. “Se o país aceitar que o seu poder judiciário seja subjugado por um interesse estrangeiro, acabou nossa soberania. Acabou nossa democracia. Porque hoje é por causa de um ex-presidente, amanhã vai ser por causa de quê? Os Estados Unidos vão puxar, pegar um telefone e vai dizer ‘ó, não gostei dessa decisão aí não, fecha lá a rádio Andaiá’ e o país vai ter que aceitar? Claro que não! Temos que nos indignar todos os brasileiros porque foi muita luta, muitas pessoas sofreram para que o país chegasse nesse estágio de democracia e autonomia e não podemos aceitar essa chantagem por motivos pessoais”, concluiu.
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