Julgamento do golpe: defesa de Bolsonaro fala em falta de provas

Veja também quem são os réus do núcleo central do processo e quais foram os crimes cometidos por Jair Bolsonaro.

Foto: Gustavo Moreno / STF

O advogado de defesa de Jair Bolsonaro (PL), Celso Vilardi, afirmou nesta quarta-feira (03) que “não há uma única prova” contra o ex-presidente no inquérito que apura a existência de um plano de golpe de Estado após as eleições de 2022. A declaração foi feita durante sustentação oral no Supremo Tribunal Federal (STF).

“O presidente, que eu vou demonstrar cuidadosamente, tratando da questão da minuta, ele não atentou contra o Estado democrático de direito. (…) Não há uma única prova e como eu vou salientar aqui, com todo respeito”, disse Vilardi.

O advogado também criticou a Procuradoria-Geral da República (PGR) por propor a redução dos benefícios da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid. Segundo ele, o Ministério Público pretende reconhecer uma “parcial falsidade” no depoimento e ainda assim utilizá-lo no processo.

“A delação da forma como está sendo proposta nas alegações finais do Ministério Público não é uma jabuticada, é algo que não existe nem aqui, nem em nenhum lugar do mundo. Porque, na verdade, o que está se pretende aqui é reconhecer uma parcial falsidade da delação e ainda assim fazer um aproveitamento dela diminuindo a pena”, declarou.

A defesa de Bolsonaro foi apresentada após a sustentação oral do advogado de Augusto Heleno. Os ministros devem iniciar a fase de votação somente após todas as defesas se manifestarem. Segundo o cronograma, o julgamento será retomado na próxima terça-feira (09), com o voto do ministro Alexandre de Moraes e dos demais integrantes da Corte.

Quem são os réus do núcleo 1

Além de Jair Bolsonaro, o núcleo central do processo reúne outros sete réus:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Abin;
  • Almir Garnier, almirante de esquadra e ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto, general, ex-ministro da Defesa e candidato a vice-presidente em 2022.

Crimes apontados pela acusação

Os réus respondem a cinco crimes perante o STF:

  1. Organização criminosa armada;
  2. Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  3. Golpe de Estado;
  4. Dano qualificado por violência e grave ameaça;
  5. Deterioração de patrimônio tombado.

A exceção é Alexandre Ramagem. Em maio, a Câmara dos Deputados aprovou a suspensão parcial da ação penal contra ele. Com isso, o parlamentar responde apenas por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Fonte: CNN