Advogado de Augusto Heleno critica excesso de perguntas do ministro Alexandre de Moraes

Durante interrogatório do primeiro grupo do plano golpista, advogado questiona postura do relator sobre testemunhas.

Foto: STF / YouTube / Reprodução

O advogado Matheus Milanez, que defende o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Augusto Heleno, no inquérito do golpe, criticou o excesso de perguntas feitas pelo ministro Alexandre de Moraes em comparação ao número de questionamentos da Procuradoria-Geral da República (PGR). O comentário ocorreu na quarta-feira (04), durante o segundo dia de julgamentos do primeiro grupo do plano golpista, que inclui Jair Bolsonaro, no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Milanez, uma testemunha foi questionada sobre publicações em redes sociais que não constavam no processo, e mesmo permanecendo em silêncio, continuou a ser indagada.

“Nós temos 302 perguntas do ministro relator contra 59 da Procuradoria-Geral da República. E aqui, excelências, muito se indaga, mas somente perguntar a mais não quer dizer que houve uma violação propriamente. O juiz também pode produzir provas. Mas aqui nós temos um fato curioso. Uma das testemunhas arroladas, o senhor Valdo Manuel de Oliveira Aires, foi indagado pelo ministro relator a respeito de uma publicação dele nas redes sociais que não consta dos autos. Ou seja, nós temos uma postura ativa do ministro relator de investigar testemunhas. Por que o Ministério Público não fez isso? Qual o papel do juiz julgador? Ou é o juiz inquisitor? O juiz é imparcial, o juiz é afastado da causa. Por que o magistrado tem a iniciativa de pesquisar as redes sociais da testemunha? Não que o ponto não seja relevante, pode às vezes ser irrelevante, mas quem tem a iniciativa probatória, quem compete o ônus da prova? ao Ministério Público”, afirmou o advogado.