Base do governo barra convocação do irmão de Lula na CPI mista do INSS

José Ferreira da Silva, o “Frei Chico”, é vice-presidente do Sindnapi, entidade alvo de investigação por descontos indevidos em benefícios previdenciários

José Ferreira da Silva, o Freio Chico, é irmão do presidente Lula (PT). — Foto: Divulgação/Instituto Lula

A base do governo na CPI mista do INSS conseguiu impedir, nesta quinta-feira (16), a convocação de José Ferreira da Silva, conhecido como “Frei Chico”, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi).

O Sindnapi é uma das entidades investigadas no esquema de descontos fraudulentos em benefícios previdenciários. Na última semana, a instituição foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) e teve R$ 390 milhões em bens bloqueados por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Embora o sindicato seja investigado, “Frei Chico” não é formalmente alvo da PF. Mesmo com a rejeição da convocação, os membros da CPI ainda poderão apresentar novos pedidos para ouvi-lo.

A oposição tenta vincular o caso ao governo federal, enquanto a base aliada argumenta que o foco da investigação deve permanecer nas entidades e gestores diretamente envolvidos. No início dos trabalhos da comissão, parlamentares governistas afirmaram ter acordado concentrar a apuração em presidentes de entidades e técnicos ligados à Previdência Social, deixando o irmão de Lula fora do escopo. O entendimento, contudo, foi negado pela oposição e por parte do Centrão.

Durante depoimento à CPI, o presidente do Sindnapi, Milton Baptista de Souza Filho, declarou que “Frei Chico” não exerce funções administrativas, atuando apenas em representação política e sindical.

“Ele tem um papel político de representação sindical, não administrativo”, afirmou Milton Baptista.

O deputado Luiz Lima (Novo-RJ) defendeu a convocação do irmão do presidente, afirmando que “o depoimento era justo e honesto” e que “Frei Chico precisa esclarecer seu papel dentro da entidade e os motivos de sua atuação”.

Pela base do governo, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) rebateu, afirmando que não há indícios de envolvimento de “Frei Chico” nas irregularidades investigadas.

“Não tem materialidade, não tem fato concreto. Eles içam alguém para tentar colar a imagem do presidente Lula. ‘Frei Chico’ está há um ano no sindicato, em função simbólica, sem atividade administrativa ou financeira”, declarou.

Segundo dados encaminhados à CPI pela Dataprev, o Sindnapi foi o terceiro maior destinatário de descontos associativos realizados nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas entre 2020 e 2025.