Ministro do TSE adia julgamento que pode cassar governador de Roraima; empresa ligada a ele tem contrato com o Estado

André Mendonça pediu vista pela segunda vez; instituto fundado por ele recebeu R$ 273 mil do governo de Antonio Denarium

André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: Carlos Moura | SCO | STF

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça, apresentou dois pedidos de vista e interrompeu o julgamento da ação que pode levar à cassação do mandato do governador de Roraima, Antonio Denarium (PP).

Segundo o jornal O Globo, há seis meses uma empresa de ensino fundada por Mendonça, o Instituto Iter, fechou contrato de R$ 273 mil com o governo roraimense.

Denarium é acusado de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, por supostamente ter distribuído cestas básicas, aumentado gastos com publicidade e reformado casas de eleitores durante o período eleitoral — práticas proibidas pela legislação.

O ministro pediu vista do processo em agosto e, após o fim do prazo de 30 dias, renovou o pedido, o que pode impedir a conclusão do julgamento até o fim do mandato do governador, reeleito em 2022. Outros cinco ministros ainda precisam votar.

O contrato entre o Instituto Iter e o governo de Roraima foi firmado em 18 de fevereiro pela Secretaria de Licitação e Contratação, chefiada pelo coronel Everson Cerdeira. O documento oficial informa que o acordo é destinado à capacitação de servidores estaduais.

O CEO do Iter é Victor Godoy, ex-ministro da Educação no governo de Jair Bolsonaro, que também aparece como único sócio do instituto na Receita Federal.