
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para investigar o uso de publicidade da casa de apostas Vai de Bet durante o evento “São João Paulo”, festa junina custeadapela Prefeitura de São Paulo. A empresa é a mesma envolvida em escândalos de patrocínio no Corinthians.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) gastou cerca de R$ 2,5 milhões com a contratação de artistas como Belo, Michel Teló, Léo Santana e Mumuzinho, afirmando que o evento, realizado no Centro Esportivo Tietê, não teria patrocínio privado. No entanto, o espaço estava repleto de publicidade da Vai de Bet, que também assinou toda a comunicação visual da festa sem oferecer contrapartida financeira ao município.
O vereador Nabil Bonduki (PT) denunciou o caso ao MP, apontando que a marca da casa de apostas estava presente em brindes, banners e publicações nas redes sociais oficiais do evento. Em uma postagem, o perfil da festa chegou a divulgar o slogan:
“Aposte na alegria, aposte na cultura, aposte com quem tá junto de verdade.”
Um parecer técnico da Secretaria Municipal de Cultura, que autorizou a contratação de Léo Santana por R$ 550 mil, afirmava que o evento não teria associações com empresas privadas nem patrocínios.
“Sendo o local público, cabe ressaltar que não haverá associação com eventos e entidades privadas ou instituições particulares que possam se beneficiar da atração”, dizia o documento.
Além disso, o contrato de cessão do espaço firmado entre a Secretaria de Esportes (SEME) e a Secretaria de Turismo proibia a prática de jogos de azar e a divulgação de publicidade sem autorização prévia — autorização essa que não consta nos registros de transparência.
O MP investiga se houve violação de princípios da administração pública, como a legalidade e a moralidade, no uso do espaço público e na promoção de uma marca privada em um evento pago integralmente com recursos municipais.




