COP28: CNI aponta caminhos para descarbonização da indústria no Brasil

Foto: reprodução

O Brasil tem potencial para ser protagonista mundial nos esforços para descarbonizar a economia e consolidar uma economia verde. A indústria tem feito sua parte, mas o caminho para a neutralidade climática exige investimentos em tecnologia, inovação e financiamento para que as empresas consigam ajudar o país a atingir a meta de redução de 53% de suas emissões até 2030, compromisso brasileiro pactuado no Acordo de Paris.

Para apontar caminhos e estratégias para o setor industrial, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou o documento “Oportunidades e riscos da descarbonização da indústria brasileira – roteiro para uma estratégia nacional” na Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP28), em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O estudo foi divulgado no estande montado pela entidade, que recebeu uma delegação de mais de 100 especialistas, empresários e representantes da indústria e do governo em debates e palestras sobre a agenda verde.

De acordo com o estudo, serão necessários investimentos de cerca de R$ 40 bilhões para que os setores com maior consumo de energia alcancem a neutralidade climática em 2050. O custo de cerca de R$ 40 bilhões foi obtido a partir da revisão de estudos feitos nos últimos anos no Brasil e a partir de consultas a especialistas de cada segmento industrial.

A CNI, no entanto, ressalta que alguns setores não consideraram no cálculo os valores de investimentos indiretos para aumentar a oferta de energia renovável e alternativas, como portos, estradas e telecomunicações. Assim, o valor de R$ 40 bilhões poderá ser ainda maior.

“A despeito de contar com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com mais de 80% de fontes renováveis, o Brasil já se encontra na vanguarda da transição energética, com elevada participação de fontes renováveis na matriz energética e segue em uma trajetória sustentável, ampliando e diversificando, cada vez mais, o uso dessas fontes limpas e renováveis”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Proposta da CNI

A CNI também elaborou um documento com seu posicionamento em relação às negociações na COP28. Entre os pontos destacados estão o financiamento climático, algumas estratégias para implementação da NDC brasileira e a regulamentação do mercado global de carbono. Essas propostas fazem parte do documento Visão da Indústria.

“As janelas de oportunidade que se abrem para o Brasil com o desenvolvimento do hidrogênio de baixo carbono, da energia eólica offshore e dos biocombustíveis, além do empenho do governo federal com a redução do desmatamento, nos colocam de volta no protagonismo das discussões de sustentabilidade”, disse Ricardo Alban, presidente da CNI.

Os benefícios dos esforços para combater as mudanças climáticas se traduzirão em atração de investimentos, novas plantas industriais e criação de empregos no país. E essa oportunidade não pode ser deixada de lado, como observou, no estande da CNI, o secretário de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Rodrigo Rollemberg, que parabenizou a Confederação pelo documento.



Veja mais notícias no blogdovalente.com.br e siga o Blog no Google Notícia