Desigualdade social atinge nível inédito com avanços no emprego e eficiência em programas assistenciais

Foto: reprodução

A redução da desigualdade social atingiu um nível inédito, impulsionada por avanços no setor de empregos e pela eficácia de programas assistenciais. A taxa de pessoas em situação de pobreza diminuiu de 36,7% em 2021 para 31,6% em 2022, e a de extrema pobreza de 9% para 5,9%.

Outubro marcou um momento histórico com o número de brasileiros empregados alcançando 100 milhões, o maior desde o início das medições do IBGE em 2012.

Daniel Duque, economista da FGV Ibre, atribui a queda da desigualdade tanto à expansão do mercado de trabalho em 2022 quanto ao incremento dos programas sociais, especialmente o Bolsa Família, que sob o governo Bolsonaro aumentou para R$ 600 e continuou com ajustes no governo Lula.

Para 2023, prevê-se uma diminuição adicional na desigualdade, impulsionada pela melhoria contínua no mercado de trabalho, reajuste de salários mais baixos e o acréscimo no Bolsa Família de R$ 150 por criança. No entanto, para 2024, espera-se uma possível estagnação ou leve aumento na desigualdade.

Sem o apoio dos programas sociais, a desigualdade seria mais acentuada. O Índice de Gini, que mede a disparidade de renda, registrou 0,518 no ano passado, o menor desde 2012. Sem os programas assistenciais, o índice seria de 0,548, o mais baixo desde 2015.

Marcelo Neri, diretor do FGV Social, aponta que tanto a extrema pobreza quanto a desigualdade diminuíram significativamente desde 1976, em grande parte devido ao aumento dos benefícios sociais. Ele estima que, sem as transferências de renda do governo, a extrema pobreza entre crianças de 0 a 4 anos seria 5,7 pontos percentuais maior em 2022.

Ainda em 2022, cerca de 67,8 milhões de brasileiros estavam em condição de pobreza, com renda diária inferior a US$ 5,50, e 12,7 milhões em extrema pobreza, com menos de US$ 1,90 por dia. Esses números representam uma redução de 10,2 milhões e 6,5 milhões, respectivamente, em relação a 2021.

Um aspecto preocupante é o alto número de crianças pobres: em 2022, 49,1% das crianças até 14 anos viviam em pobreza e 10% em extrema pobreza. A ausência de programas sociais elevaria a taxa de pobreza de 31,6% para 35,4% e a de extrema pobreza de 5,9% para 10,6%.

A pesquisa também revela que a pobreza no Brasil tem cor: em 2022, 40% das pessoas pretas ou pardas eram pobres, quase o dobro da taxa entre brancos, que era de 21%. As famílias lideradas por mulheres pretas ou pardas, sem cônjuge e com filhos menores de 14 anos, enfrentavam a maior incidência de pobreza, com 72,2% vivendo nessa condição e 22,6% em extrema pobreza.



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