Mais da metade das crianças do 2º ano do fundamental da rede pública não sabe ler e escrever

Foto: reprodução/poder360

Um levantamento do Unicef, o Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância, mostra que mais da metade das crianças do 2º ano do ensino fundamental da rede pública não sabe ler e escrever. Os dados mais recentes, do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), de 2021, apontam que 56,4% dessas crianças não foram alfabetizadas na faixa etária esperada.

O Saeb é uma avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) que avalia o desempenho dos estudantes a cada dois anos. Para o Unicef, o cenário, que já preocupava antes da pandemia de covid-19, se agravou ao longo dela. Em 2021, o percentual de crianças da rede pública que não foram alfabetizadas no 2º ano do fundamental aumentou 30% em relação a 2019.

A alfabetização é uma etapa fundamental na trajetória escolar de crianças e adolescentes e precisa ser priorizada nos municípios brasileiros. “É urgente implementar o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, investindo em práticas pedagógicas eficazes, voltadas tanto às crianças em idade de alfabetização, quanto àquelas que não aprenderam na pandemia e ficaram para trás”, disse o Unicef em comunicado.

A chefe de Educação do Unicef no Brasil, Mônica Dias Pinto, explica que ciclos de alfabetização incompletos levam à reprovação e abandono escolar. “O estudante vai sendo reprovado uma, duas, três vezes, abandona a escola, tenta retornar, e vai ficando em atraso escolar. Sem oportunidades de aprender, ele acaba sendo forçado a deixar definitivamente a escola”.

O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, lançado em 2023 pelo Ministério da Educação (MEC), prevê investir em práticas pedagógicas de qualidade e implementar apoio específico voltado aos estudantes que não aprenderam a ler e escrever até o 2º ano do Ensino Fundamental para recuperar o tempo perdido e avançar. Até o final de 2023, todos os estados e mais de 90% dos municípios haviam aderido ao programa.

É essencial, agora, acompanhar de perto a implementação desse programa, avaliando as propostas de alfabetização que estão sendo desenvolvidas em cada município e os resultados concretos delas na redução do analfabetismo no País”, defende Mônica.



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