Pantanal: incêncios de 2024 tem 2º pior índice nos últimos 15 anos, aponta Inpe

Foto: Guilherme Giovanni

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificou 1.193 focos de incêndios florestais no Pantanal entre 1º de janeiro e 7 de junho de 2024. Este é o segundo pior índice de queimadas na região nos últimos 15 anos, desde 2010. Este ano, a temporada de incêndios, que geralmente começa em julho, chegou mais cedo e com intensidade.

O Pantanal, um dos biomas mais ricos em biodiversidade do planeta, localizado nos estados de Mato Grosso do Sul (60%) e Mato Grosso (40%), enfrenta uma grave escalada de incêndios em 2024. Segundo o Inpe, os primeiros cinco meses deste ano mostraram um aumento de quase 900% nos focos de incêndio em comparação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) de Mato Grosso do Sul, o Pantanal tem enfrentado uma seca extrema desde o final de 2023. O fenômeno climático El Niño reduziu drasticamente as chuvas na região, registrando precipitações entre 600 e 800 milímetros, bem abaixo da média histórica de 1.400 mm para o período. Em Corumbá, uma das principais cidades pantaneiras, não chove há mais de 50 dias, segundo meteorologistas locais. A combinação de incêndios florestais e baixa umidade do ar criou uma densa camada de fumaça sobre a cidade.

Na última semana, o risco de incêndios e a intensa fumaça levaram à evacuação de crianças de uma escola ribeirinha em Corumbá, com a suspensão das aulas por 10 dias. O Corpo de Bombeiros, que iniciou a Operação Pantanal em abril, informou que equipes conseguiram controlar o fogo em três parques estaduais: Pantanal do Rio Negro (Pantanal), Nascentes do Taquari (Cerrado) e Várzeas do Rio Ivinhema (Mata Atlântica). Mais de 80 militares estão envolvidos no combate às chamas. Em Mato Grosso do Sul, mais de 32 mil hectares já foram queimados, de acordo com os bombeiros.

As rajadas de vento têm contribuído para a propagação dos incêndios, aumentando o risco de novos focos. A ONU emitiu um alerta sobre a escalada no número de incêndios em 2024, ressaltando que os dados deste ano são os piores desde 2020, quando o Pantanal sofreu o maior período de queimadas já registrado.



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