Mauro Cid diz que dinheiro de Braga Netto para golpe estava em sacola de vinho

Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro relatou em delação que recebeu valores no Palácio da Alvorada e repassou a assessor.

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), afirmou em sua delação premiada que recebeu do ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, Walter Braga Netto, uma quantia em dinheiro dentro de uma sacola de vinho no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.

Foto: Fellipe Sampaio / STF via Reuters

A declaração foi feita em um dos depoimentos prestados no âmbito de sua colaboração premiada, homologada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Cid, o dinheiro foi entregue por Braga Netto e posteriormente repassado a Rafael Martins de Oliveira, assessor do ex-ministro.

“O general Braga Netto me entregou o dinheiro, eu tenho quase certeza que foi no Alvorada, até me lembro que eu botei na minha mesa ali na biblioteca do Alvorada e depois o [Rafael Martins] de Oliveira veio buscar o dinheiro comigo na próprio Alvorada”, declarou Cid.

O ex-ajudante de ordens disse não se recordar da data exata nem do valor do montante recebido.

“Eu não sei dizer o valor porque estava na casa, estava lacrado, não mexi, porque ele me entregou eu passei para ele”, afirmou.

Cid também detalhou como o dinheiro foi entregue.

“Ele me entregou um, era tipo uma coisinha de vinho assim, de presente de vinho, com dinheiro. Eu não contei, não sei quanto, estava grampeado e, aí, o [Rafael Martins] de Oliveira veio buscar o dinheiro. Então, eu peguei o dinheiro e passei para o [Rafael Martins] de Oliveira”, disse.

O tenente-coronel mencionou ainda uma reunião realizada em 28 de novembro de 2022 com oficiais formados no Curso de Forças Especiais – conhecidos como “kids pretos”. De acordo com ele, havia “militares mais exaltados, outros menos”, mas não soube detalhar a posição de cada um.

Delação e investigação no STF

Mauro Cid ocupou o cargo de ajudante de ordens de Bolsonaro durante quase todo o mandato do ex-presidente. Em acordo de delação com a Polícia Federal, ele prestou informações sobre diversos inquéritos, incluindo a tentativa de golpe de Estado.

Na terça-feira (18), a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Bolsonaro e outras 33 pessoas, acusando-os de arquitetar uma tentativa de golpe entre 2021 e janeiro de 2023 para impedir a derrota do ex-presidente nas eleições e a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

O sigilo da delação de Cid foi derrubado pelo ministro Alexandre de Moraes nesta quarta-feira (19). O acordo firmado prevê que Cid forneça detalhes sobre suspeitas de crimes investigados pela Polícia Federal, incluindo a tentativa de golpe, as joias sauditas e a suposta fraude nos cartões de vacinação.

Se as informações prestadas forem confirmadas, Cid poderá receber benefícios como a redução da pena e o cumprimento de eventuais condenações em regime aberto.