Soldado da PM-SP é preso após ser acusado de ter virado as costas para capitão

Um soldado da Polícia Militar de São Paulo foi preso na quarta-feira (18) e liberado no dia seguinte após ser acusado de desrespeitar um capitão durante atendimento médico no Hospital da Polícia Militar. Segundo a defesa, ele teria apenas virado as costas e chamado o superior de “você”, o que motivou a prisão por suposto desacato.

Foto: reprodução

De acordo com a advogada Fernanda Borges de Aquino, que acompanhava Neto, o soldado buscava a revalidação de um atestado médico, pois vinha enfrentando dificuldades para obter afastamentos compatíveis com seu quadro clínico. Enquanto um médico civil recomendava 30 dias de licença, os profissionais do hospital militar concediam apenas três.

Durante a consulta, Fernanda afirma ter começado a gravar o atendimento como forma de documentar a situação, o que irritou o capitão Cavalcante, que ordenou a interrupção da filmagem e expulsou a advogada da sala. Após o término da consulta, Neto teria reprovado a atitude do capitão e, ao ser liberado por uma major presente, deixou a sala. Neste momento, o capitão ordenou sua prisão por desrespeito.

Três tenentes testemunharam em favor do capitão, alegando que o soldado o desrespeitou verbalmente. No entanto, gravações feitas pela advogada desmentiram essa versão. Com base no áudio, a própria defesa deu voz de prisão ao capitão por denunciação caluniosa e aos tenentes por falso testemunho.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado para apurar o caso. A SSP confirmou que Neto foi autuado inicialmente por desrespeitar um superior na presença de outro militar, mas já está em liberdade.

Segundo a defesa, a soltura ocorreu após as provas demonstrarem que o capitão e os tenentes teriam distorcido os fatos. “Eles queriam passar a mão no que o oficial fez”, declarou a advogada.