O Brasil está reivindicando oficialmente junto à Organização das Nações Unidas (ONU) o direito sobre uma extensa área submersa no Oceano Atlântico, conhecida como Elevação do Rio Grande. Localizado a cerca de 1.200 km da costa do Rio Grande do Sul, o território tem aproximadamente 500 mil km² — área maior que a da Espanha — e está a cerca de 5 mil metros de profundidade.

Segundo estudos conduzidos pela Universidade de São Paulo (USP), o solo da Elevação apresenta composição geológica idêntica à do interior paulista, o que fortalece a hipótese de que a estrutura já foi parte do continente sul-americano. A descoberta reforça o pleito do Brasil junto à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC), órgão da ONU responsável por avaliar solicitações de expansão além das 200 milhas náuticas da Zona Econômica Exclusiva.
A reivindicação brasileira, em análise desde fevereiro de 2025, inclui outras duas áreas além da Margem Oriental-Meridional, onde está situada a Elevação do Rio Grande. Um parecer técnico emitido em março reconheceu a consistência metodológica dos estudos nacionais e validou os argumentos geológicos apresentados pelo país. A decisão final, no entanto, ainda aguarda resposta da ONU, sem previsão de data.
A região atrai interesse científico e estratégico por conter minerais valiosos como “terras raras”, essenciais para tecnologias de transição energética, além de argila vermelha e rochas vulcânicas. Pesquisadores de diversas universidades brasileiras destacam que o foco não é defender a mineração submarina, mas compreender as características ambientais, geológicas e ecológicas do local.
Desde 2018, expedições na Elevação identificaram formações similares ao solo do estado de São Paulo, além de picos submarinos com mais de 4 mil metros de altura e vestígios de que o território submerso já teve clima tropical e vegetação densa, o que reforça ainda mais a hipótese de ligação geológica com o continente.




