Lula reage a tarifa de Trump e promete resposta com base na lei de reciprocidade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (9) que o Brasil responderá com base na Lei de Reciprocidade Econômica à nova tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. A medida norte-americana, anunciada publicamente em carta divulgada na rede Truth Social, gerou forte reação do governo brasileiro e já motivou uma reunião emergencial no Palácio do Planalto.

Foto: EFE/EPA/JIM LO SCALZO / POOL//André Borges

Em publicação nas redes sociais, Lula classificou o Brasil como “um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém” e reafirmou que o processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, citado por Trump como motivação para a tarifa, “é de competência exclusiva da Justiça Brasileira”.

Ainda segundo Lula, “liberdade de expressão não se confunde com agressão”, ao defender a regulação das plataformas digitais e o cumprimento da legislação nacional por todas as empresas, sejam nacionais ou estrangeiras.

O chefe do Executivo também rebateu a alegação de Trump de que a relação comercial entre os dois países seria injusta. De acordo com o presidente brasileiro, dados oficiais do governo norte-americano indicam que, nos últimos 15 anos, os Estados Unidos registraram um superávit acumulado de US$ 410 bilhões no comércio bilateral com o Brasil.

A nova tarifa anunciada por Trump entra em vigor no dia 1º de agosto e, até o momento, representa a alíquota mais alta dentro do pacote de medidas comerciais lançado recentemente pelo mandatário americano. No comunicado, Trump acusa o Brasil de impor barreiras comerciais e políticas tarifárias desfavoráveis aos EUA, justificando a sanção como um “passo necessário para garantir condições de concorrência justas”.

Em resposta à ofensiva norte-americana, Lula convocou reunião com os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Geraldo Alckmin (Indústria, Comércio e vice-presidente) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) para discutir medidas diplomáticas e comerciais de retaliação.

A crise comercial entre Brasil e Estados Unidos se agrava em meio a um cenário político internacional tenso, com interferências de questões internas brasileiras sendo utilizadas como justificativa para sanções econômicas externas.