Os salários médios de juízes brasileiros atingiram R$ 65.532 em março de 2025, segundo pesquisa do Movimento Pessoas à Frente divulgada nesta semana. O levantamento mostra que, entre 2024 e 2025, houve um aumento de 49,3% na remuneração dos magistrados — índice muito superior à inflação oficial do período, que foi de 4,83%.

O estudo, intitulado “A corrida além do teto: Supersalários, verbas indenizatórias e a necessidade de resgate da autoridade constitucional”, foi conduzido pelo pesquisador Bruno Carazza com base em dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A pesquisa revela que o rendimento médio dos juízes em março de 2024 era de R$ 50.997. Desde então, os valores cresceram até atingir o pico de R$ 66.431,76 em fevereiro de 2025.
De acordo com o relatório, o teto do funcionalismo público — equivalente ao salário de ministros do Supremo Tribunal Federal (R$ 46.366,19) — tem sido superado sistematicamente por meio de auxílios e verbas indenizatórias, os chamados “penduricalhos”. Esses benefícios, muitas vezes isentos de Imposto de Renda, representam atualmente mais de 43% dos rendimentos líquidos da magistratura.
As despesas totais com magistrados subiram de R$ 7 bilhões em 2023 para R$ 10,5 bilhões em 2024. Segundo a ONG, o avanço nos chamados supersalários compromete a transparência e a equidade no serviço público.
Jessika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente, afirmou em nota que o problema é estrutural e precisa de solução urgente. “Não podemos esperar mais 40 anos para finalmente resolver esse desafio estrutural dos supersalários no Brasil”, declarou.




