Alexandre de Moraes afirma que não vai recuar em investigações sobre Bolsonaro mesmo após sanções dos EUA

Ministro do STF diz que analisará provas e seguirá processo judicial; sanções foram aplicadas com base na Lei Magnitsky.

Foto: Fellipe Sampaio /SCO/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta segunda-feira (18) que não vai recuar em suas decisões relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mesmo após sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky. A declaração foi dada em entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post.

“Faremos o que é certo: receberemos a acusação, analisaremos as provas, e quem deve ser condenado será condenado, e quem deve ser absolvido será absolvido”, disse Moraes ao jornal. Segundo ele, “não existe a menor possibilidade de recuar nem milímetro sequer”, mesmo diante das restrições impostas pelos Estados Unidos, que incluem o bloqueio de bens e a proibição de transações com cidadãos e empresas americanas.

O governo americano justificou as sanções alegando que Moraes promove uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro, embora a ação penal siga os trâmites do Judiciário brasileiro. Moraes afirmou que críticas e narrativas falsas sobre a ação penal têm prejudicado o relacionamento entre Brasil e Estados Unidos, historicamente aliados.

Na entrevista, o ministro também comentou o julgamento do chamado “núcleo crucial da trama golpista”, que envolve Bolsonaro. A Primeira Turma do STF marcou o julgamento entre 2 e 12 de setembro. O Washington Post chamou Moraes de “xerife da democracia” e citou que os decretos do ministro, incluindo sanções a redes sociais como o X, de Elon Musk, tiveram repercussão internacional.

“Entendo que, para uma cultura americana, seja mais difícil compreender a fragilidade da democracia porque nunca houve um golpe lá. Mas o Brasil teve anos de ditadura sob o [presidente Getúlio] Vargas, outros 20 anos de ditadura militar e inúmeras tentativas de golpe. Quando você é muito mais atacado por uma doença, forma anticorpos mais fortes e busca uma vacina preventiva”, disse o ministro.

Questionado sobre as sanções e críticas recebidas, Moraes afirmou: “É agradável passar por isso? Claro que não é agradável. Mas é preciso defender a democracia. Enquanto houver necessidade, a investigação continuará”.

O ministro também destacou a importância de esclarecer desinformações que circulam nas redes sociais e que, segundo ele, prejudicam o diálogo entre Brasil e Estados Unidos.