Deputado pede ao Banco Central informações sobre banco digital ligado ao pastor André Valadão

Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL – RJ) protocolou um ofício junto ao Banco Central (BC) solicitando informações sobre o Banco Digital Clava Forte. O banco foi lançado pelo pastor e cantor André Valadão, um dos líderes da Igreja Batista da Lagoinha. A propaganda de criação do grupo, amplamente noticiada, afirma que o banco existe para “impulsionar projetos do Reino de Deus”. O pedido do parlamentar foi anunciado durante uma sessão na Câmara dos Deputados, em Brasília, nesta terça-feira (07).

Segundo o deputado, há indícios de que “a Igreja virou banco e a fé virou um negócio”, pela aparente necessidade de um banco para o “Reino de Deus” funcionar, pelo fato de a sede do Banco Digital Clava Forte ser no mesmo endereço da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, e pela administração do banco ser composta pelo próprio André Valadão e sua esposa.

O deputado também questionou a relação de serviços como abertura de contas digitais, cartões e financiamentos com a função de uma Igreja.

“O que isso tem a ver com a natureza e a função de uma igreja? Então, quais as perguntas estamos fazendo ao Banco Central? Existe autorização formal para o funcionamento deste banco?”, indagou.

O principal ponto levantado por Henrique Vieira é o suposto uso indevido da imunidade tributária concedida a instituições religiosas.

“Será que não há um uso da imunidade tributária própria das igrejas ou das atividades religiosas? Será que não existe um uso indevido da imunidade tributária para um negócio privado visando o lucro? Imunidade tributária vale, segundo a nossa Constituição, apenas para atividades essenciais à fé, à liberdade religiosa”, afirmou o deputado.

Ele complementou que o pedido ao Banco Central visa impedir a manipulação da estrutura eclesiástica.

“Nós entramos com um pedido ao Banco Central, porque senão você pode manipular e utilizar a igreja para finalidades que nada têm a ver com a expressão e a liberdade da fé, fazendo serviço de banco e lucrando em cima das pessoas. Quando a igreja vira banco, quando a fé vira negócio”.