Condenados por participação na trama golpista, Anderson Torres e Alexandre Ramagem são demitidos da Polícia Federal

Demissões foram oficializadas nesta quinta-feira (4) pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, após comunicado do Supremo sobre as condenações.

Foto de Torres: Marcos Oliveira / Agência Senado | Foto de Ramagem: Bruno Spada / Câmara dos Deputados.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, demitiu nesta quinta-feira (4) da Polícia Federal o ex-ministro Anderson Torres e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). As demissões atendem à condenação dos dois pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação na trama golpista. O ministério oficializou as punições após receber o comunicado do STF, analisar o caso e confirmar a medida.

Torres e Ramagem eram delegados de carreira e, com a perda do cargo público, deixam de receber o salário correspondente à função. Como a PF é subordinada ao Ministério da Justiça, cabe ao ministro formalizar as demissões.

Ramagem está foragido nos Estados Unidos. Ele teve o salário da Câmara congelado e é o único condenado do núcleo considerado central da trama que permanece fora do país. Como deputado, conseguiu suspender parte da ação penal envolvendo fatos posteriores à sua posse na Câmara. Ele foi condenado a 16 anos de prisão por abolição violenta do Estado de Direito, organização criminosa e golpe de Estado.

Anderson Torres foi condenado a 24 anos de prisão por abolição violenta do Estado de Direito, organização criminosa, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, estava no comando da pasta durante os atos de 8 de Janeiro.

Torres cumpre pena em uma cela especial de 54 m² na unidade conhecida como Papudinha, parte do Complexo Penitenciário da Papuda destinada a policiais presos. O espaço é maior do que a cela especial destinada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na superintendência da PF em Brasília.