Com processo prejudicado desde a pandemia, João Leão, vice-governador, diz que ponte Salvador-Itaparica ‘vai sair, sim

As pontes fazem parte da vida de João Leão. Na última quarta-feira, quando saia de Ibotirama, rumo a Muquém do São Francisco, lembrou que sua trajetória de vida se iniciou com a obra que liga as duas margens do Rio São Francisco lá. Agora, o desafio é uma outra ponte, de 12 quilômetros, ligando Salvador a Itaparica, com um volume de investimento previsto de R$ 5,3 bilhões, mas a despeito da desconfiança em relação à obra, o vice-governador e secretário de Desenvolvimento da Bahia diz com convicção: “Essa ponte vai sair, sim”.

“A princípio, eu também não acreditava nessa obra não, porque é grande demais. São R$ 5,3 bilhões, é muito difícil de realizar”, reconheceu o vice-governador em entrevista ao Correio 24h.

Durante a conversa com o jornalista Donaldson Gomes, João Leão falou sobre o impacto que a obra terá sobre a economia baiana – deve dobrar a arrecadação do estado, projetou – e destacou outros projetos que vão ajudar a Bahia a superar a crise provocada pela pandemia da covid-19.

Entraram na conta ainda a conclusão da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e o Porto Sul, além da implantação do polo sucroalcoleiro no Médio São Francisco, que deverá ter 11 usinas produzindo álcool nos próximos 15 anos.

“A Ponte Salvador-Itaparica vai dobrar as receitas do estado. Só nos municípios do entorno da Ilha de Itaparica, de Valença para cá, iremos arrecadar R$ 57 bilhões”, projetou. Segundo ele, só na construção da ponte, o estado vai arrecadar o equivalente a metade dos R$ 1,5 bilhão que sairão os cofres da Bahia. “Quando você somar o cimento e todos os materiais necessários para a construção da ponte, vamos arrecadar R$ 750 milhões. Uma coisa que precisa ficar clara é que nós não demos isenção aos chineses”, pondera.

Entretanto, a maior parte das receitas deverá vir de negócios que serão gerados após a conclusão da ponte. João Leão inclusive dá um conselho a quem tem propriedades na Ilha: “Quem tem propriedade, não venda sua casa, seu terreno, deixe a ponte começar. Você já esperou tanto, aguente só mais um pouco”. Segundo ele, a projeção é de uma grande valorização imobiliária em toda a região após a obra.

“Quando a ponte começar, teremos uma hipervalorização e de cada terreninho vendido, o estado vai arrecadar 2,5% do imposto de transmissão do imóvel. Vai ser um boom”, projeta. Ele lembra que mais imóveis vão elevar o consumo de energia, que também resultará em mais arrecadação.

“E o mais importante, é que que não será um benefício apenas para Itaparica e Veracruz, vamos ver o Baixo Sul se tornar um novo Litoral Norte, que hoje representa 5% das receitas do estado”, projeta. Hoje a região representa 0,5%. “Vai ser moda morar em Valença e Guaibim, como hoje é moda os ricos terem casas no Litoral Norte”, destaca.

Segundo Leão, a convicção dele em relação à ponte foi alimentada pela disposição da CCCC, empresa chinesa que é a maior construtora do mundo em relação ao projeto. “Na época, não tinham empresas brasileiras em condições de tocar um projeto deste tamanho, mas eu fui lá e apresentei nosso projeto e eles já estão aqui estudando a ponte há dois anos”, conta.  “Quando estava tudo pronto para assinar o contrato, veio a pandemia e todos os voos foram cancelados”, lembrou.

Com a pandemia, a legislação permitiu a prorrogação do prazo, diz Leão. Segundo o vice-governador, prazos previstos em contratos vão começar a contar a partir da assinatura, que deve ocorrer ainda este mês.  “Este mês começam os voos para a Europa. Já estão de passagens compradas pela TAP. As empresas que ganharam esta obra são muito sérias”, destacou. Ele conta que foi o primeiro ocidental a percorrer a ponte de Macau, com 52 quilômetros de extensão.

Fonte: Correio