Tremor de terra foi o maior já registrado nos últimos 30 anos na Bahia, aponta geólogo da UEFS

O tremor de terra que atingiu neste domingo, 30, Salvador e outros municípios baianos, foi o maior já registrado nos últimos 30 anos, de acordo com o geólogo e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Carlos Uchôa.

“Muito provavelmente é o de maior magnitude já registrado nos últimos 30 anos na Bahia. A Região do Vale do Jiquiriçá e todo o recôncavo é uma região que tem muitas falhas geológicas, que são fraturas nas rochas, então de 1980 para cá já foram dezenas. Só que muitos deles são de magnitude muito baixa, então só foram sentidos pelos aparelhos medidores”, explicou em entrevista ao programa ‘Isso é Bahia’, da rádio A TARDE FM, na manhã desta segunda-feira, 31.

Ele esclareceu ainda que estas falhas geológicas podem se romper e causar os tremores. “De tempos em tempos, essas fraturas podem acumular tensão e, quando a rocha não suporta mais, se rompe e se movimenta. Esse pequeno movimento que acaba originando o abalo na superfície”, pontua.

O geólogo explicou ainda que é impossível prever esse tipo de fenômeno. “Não existe nenhum método efetivo, no mundo inteiro, capaz de prever um terremoto. Então existem as regiões mais prováveis, elas são mais monitoradas”, completou. Nestas regiões, são instaladas estações sismográficas, que vão medir a magnitude, que é a quantidade de energia liberada por cada terremoto.

Mais tremores

Com um novo tremor registrado em São Miguel das Matas e Amargosa na madrugada desta segunda-feira, 31, a população teme que mais abalos tão fortes quanto o que aconteceu no domingo atinjam os municípios. Carlos Uchôa explica que isso é um fenômeno comum.

“É possível que ocorram essas replicas ou terremotos secundários. Eles podem acontecer algumas horas ou alguns dias após o principal”, conta. Uchôa explica que esses tremores provavelmente serão de menor intensidade. “O tremor maior parece que já aconteceu, que foi o de 4.6, então se ocorrer essas réplicas, serão de menor magnitude”, acrescentou.

O professor ressalta, entretanto, que há casos no Nordeste de uma sequência de abalos durante anos. ”Outra preocupação é que, por exemplo, em João Câmara, no Rio Grande de Norte, esses ‘enxames’ de terremotos perduraram por três anos”, diz.

Um tremor de terra de magnitude 2.2 mR foi registrado na região de Pedra Preta, no Rio Grande do Norte, por volta das 5h20 do último sábado, 29. Já na quinta-feira, 27, quatro tremores de terra foram sentidos, com média de magnitude de 1.8 mR, no município de Caruaru, em Pernambuco.

“Não estou dizendo que isso vai acontecer aqui na Bahia. Vamos torcer para que, dessa vez, ocorra o que aconteceu das vezes passadas, que os sismos continuaram no máximo alguns dias após o primeiro”, finalizou.

*Atarde